Uso do cartão de crédito para despesas básicas cresce e dívidas em Mato Grosso chegam a R$ 13,2 bilhões

Um novo levantamento divulgado pela Serasa, por meio da primeira edição do Mapa de Crédito, revela um cenário preocupante sobre a saúde financeira das famílias brasileiras. Segundo o estudo, aproximadamente 30% dos consumidores estão utilizando o cartão de crédito como recurso para custear despesas básicas e essenciais, como alimentação em supermercados e contas fixas do lar. No estado de Mato Grosso, a situação reflete essa tendência nacional, com o estoque total de dívidas em atraso atingindo a marca de R$ 13,2 bilhões.
De acordo com os dados, o estado contabiliza mais de 1,55 milhão de pessoas em situação de inadimplência. Desse volume expressivo de débitos, 20,71% estão diretamente ligados a instituições bancárias e faturas de cartões de crédito. A pesquisa aponta que o cartão é, atualmente, a ferramenta financeira mais difundida no país, tendo sido utilizada por 63% dos brasileiros nos últimos 12 meses, superando qualquer outra modalidade de financiamento ou linha de crédito.
Para a especialista em educação financeira da Serasa, Rafaela Alves, a utilização do crédito para suprir necessidades básicas é um indicativo de desequilíbrio econômico. "Quando a renda não acompanha o custo de vida, o cartão deixa de ser uma ferramenta de planejamento financeiro e passa a funcionar como uma extensão da renda. Esse comportamento aumenta o risco de inadimplência", explicou a especialista. Ela ressalta que o erro mais comum é o consumidor considerar o limite disponível no cartão como parte integrante de seu salário mensal.
Além do uso cotidiano, o estudo detalha outras motivações: 29% dos usuários destinam o cartão para compras de itens específicos e 18% o utilizam para emergências de saúde. A flexibilidade é o principal atrativo, com 41% dos entrevistados destacando o parcelamento como a maior vantagem. Contudo, o uso desenfreado pode levar ao perigoso ciclo do crédito rotativo. "Muitas pessoas deixam de acompanhar o impacto real das compras no orçamento, pagam apenas o valor mínimo da fatura ou acumulam parcelas sem avaliar o comprometimento da renda nos meses seguintes", alerta Alves.
Como estratégia de recuperação, o levantamento mostra que muitos brasileiros têm recorrido ao empréstimo pessoal e ao crédito consignado para tentar reorganizar a vida financeira. Cerca de 34% dos que contratam empréstimo pessoal o fazem para quitar dívidas anteriores. Segundo a orientação técnica da Serasa, essa "troca de dívidas" pode ser benéfica caso os juros da nova modalidade sejam inferiores aos do cartão, desde que haja um controle rigoroso para evitar o surgimento de novos débitos.
Fonte: G1 Mato Grosso
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