Uso de cercas elétricas reduz em 83% ataques de onças ao gado no Pantanal e auxilia preservação da espécie

Uso de cercas elétricas reduz em 83% ataques de onças ao gado no Pantanal e auxilia preservação da espécie

O uso de cercas elétricas no Pantanal de Mato Grosso tem se mostrado uma solução eficaz para promover a coexistência harmônica entre a pecuária e a fauna silvestre. Recentemente, o Instituto Impacto registrou a reaparição da onça-pintada Cynthia, acompanhada de dois filhotes, no assentamento Lambari, em Poconé. O animal, que anteriormente era monitorado por atacar o gado local, permaneceu cerca de um ano sem realizar novas investidas na área protegida pela tecnologia, demonstrando o sucesso da iniciativa.

A estratégia consiste na instalação de fios eletrificados em diferentes alturas ao redor das áreas de pastejo, especialmente onde os animais permanecem durante o período noturno. O sistema emite pulsos elétricos breves que causam desconforto ao predador sem feri-lo, desencorajando a entrada no perímetro. Segundo Paul Raad, médico-veterinário e presidente do Instituto Impacto, a proposta visa proteger a produção sem comprometer a vida dos felinos em seu habitat natural. "Não havia um vilão nessa história: havia produtores prejudicados e uma onça-pintada que precisava continuar vivendo em seu habitat. Precisávamos encontrar uma solução para os dois", explicou.

Os resultados práticos são expressivos. Na Fazenda Piuval, o proprietário Eduardo Campos relatou que a predação dentro da área de maternidade protegida caiu para zero após a implementação da tecnologia. Dados do instituto reforçam essa eficácia: em um monitoramento comparativo de 14 meses, as perdas de gado caíram de 23 mortes para apenas quatro, representando uma redução de aproximadamente 83% nos ataques. Para o produtor, a medida também beneficia o turismo ecológico, uma vez que a preservação da onça agrega valor à região.

Iniciado em 2022 com o apoio do WWF Brasil e a consultoria do pesquisador Rafael Hoogesteijn, o projeto busca preencher a lacuna entre a teoria científica e a prática no campo. Atualmente, o Instituto Impacto já atendeu mais de 15 propriedades no Pantanal e na Amazônia, com custos de instalação variando entre R$ 8 mil e R$ 10 mil para áreas que abrigam cerca de 100 animais. O objetivo agora é expandir as parcerias para levar essa tecnologia a pequenos produtores, garantindo a segurança do rebanho e a conservação da biodiversidade mato-grossense.

Fonte: G1 Mato Grosso

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