UFR desliga estudante após conclusão de processo administrativo por capacitismo

A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) oficializou o desligamento de uma aluna do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental após a conclusão de um processo administrativo disciplinar. A medida foi tomada em resposta a um episódio de capacitismo protagonizado pela estudante contra uma colega com deficiência. O caso gerou grande repercussão após a divulgação de vídeos em redes sociais, nos quais a agora ex-universitária proferia insultos e comentários depreciativos sobre a condição física e intelectual da colega.
Nos registros que circularam na internet, a estudante manifestava abertamente seu desdém e evitava o convívio com a vítima. Em um dos trechos, ela afirma: "Eu nem gosto de ficar perto dela porque ela fede demais. Eu e minha amiga, a gente nem fica perto dessa guria. Tenta evitar o máximo de contato possível. Ela vê a gente e vem ficar com a gente. Gente, me estressa. Não é por nada, eu não tenho preconceito com PCD, mas a gente tem que se tocar". As ofensas também se estenderam ao desempenho acadêmico da colega em trabalhos em grupo e durante as aulas.
A gravidade das falas ficou evidente quando a aluna questionou a capacidade intelectual da vítima e sua participação em atividades pedagógicas. "No caso, só essa guria aí que é especial, essa PCD aí, ela é burra, burra. Gente, não é preconceito nem nada, mas a gente tem que se tocar. Sabe aquela pessoa que para a aula todinha pra falar óbvio? Então, é essa insuportável dessa PCD", declarou a estudante nos vídeos publicados. Diante da exposição, a instituição iniciou imediatamente os ritos de apuração.
Em nota oficial, a UFR esclareceu que todo o procedimento administrativo respeitou os princípios do devido processo legal, assegurando o contraditório e a ampla defesa. A universidade reiterou que a penalidade de desligamento reflete o compromisso da instituição com a ética, a inclusão e o respeito aos direitos humanos. Em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a universidade optou por não divulgar a identidade dos envolvidos, preservando o sigilo das informações pessoais contidas no processo.
O capacitismo, termo que define a discriminação contra pessoas com deficiência, manifesta-se por meio de preconceitos que pressupõem a inferioridade desses indivíduos. De acordo com diretrizes do Ministério da Cidadania, essa prática abrange desde ofensas verbais e exclusão social até olhares de julgamento e a invasão de privacidade, comportamentos que a UFR buscou combater rigorosamente com a aplicação desta sanção disciplinar.
Fonte: G1 Mato Grosso
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