UFMT instaura processo disciplinar para investigar lista com teor de violência sexual no curso de Direito

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) oficializou, nesta quarta-feira (6), a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta de alunos do curso de Direito, no campus de Cuiabá. A medida ocorre após a denúncia de que estudantes teriam criado e propagado uma lista em aplicativos de mensagens na qual classificavam colegas de curso como “estupráveis”. O episódio provocou indignação generalizada e motivou manifestações organizadas pela comunidade acadêmica no início desta semana.
O caso veio à tona após o conteúdo das mensagens vazar, revelando diálogos em que os envolvidos expressavam explicitamente a intenção de praticar abusos sexuais contra as vítimas. Diante da gravidade dos fatos, o Centro Acadêmico de Direito mobilizou um protesto na última segunda-feira (4), espalhando cartazes pelas dependências da faculdade para exigir punições rigorosas e medidas protetivas por parte da administração central da universidade.
Em posicionamento oficial, a UFMT declarou tolerância zero a comportamentos desta natureza. “A Universidade Federal de Mato Grosso repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica”, afirmou a instituição em nota, ressaltando que o PAD visa apurar as responsabilidades e aplicar as sanções cabíveis. Contudo, a reitoria ainda não confirmou se os suspeitos foram preventivamente afastados de suas atividades acadêmicas.
O Centro Acadêmico também se manifestou de forma contundente, destacando a contradição entre a gravidade do ato e o ambiente em que ele ocorreu. “É inadmissível que, no âmbito de um curso de Direito – cuja formação está intrinsecamente vinculada à defesa da dignidade da pessoa humana, da igualdade e dos direitos fundamentais – ocorram episódios dessa natureza”, pontuou a representação estudantil.
Apesar da mobilização interna e da abertura do processo administrativo na esfera universitária, até o fechamento desta reportagem, o caso ainda não havia sido registrado formalmente junto à Polícia Civil. O movimento estudantil assegura que continuará acompanhando os desdobramentos para garantir que o episódio não fique impune e que a segurança das estudantes seja preservada.
Fonte: G1 Mato Grosso
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