UFMT afasta segundo acadêmico investigado por lista de incitação à violência contra estudantes

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) afastou preventivamente um segundo acadêmico, desta vez do curso de Engenharia Civil, no âmbito das investigações sobre a criação de uma lista que classificava estudantes como "estupráveis". A medida, confirmada nesta quarta-feira (20), ocorre em meio a um clima de tensão no campus de Cuiabá, que também registrou episódios de intimidação contra alunos que denunciaram o caso.
O desdobramento das investigações aponta que o estudante afastado é filho de um policial federal. Segundo informações da Polícia Civil, o agente teria comparecido à instituição na última semana e intimidado colegas que participaram das denúncias. A defesa do policial argumenta que sua presença na universidade visava proteger o filho, que estaria sofrendo ameaças. Vídeos do sistema de segurança da UFMT registraram o homem circulando pelos corredores, e ele já foi intimado a prestar depoimento para esclarecer sua conduta.
Este é o segundo afastamento determinado pela instituição desde o início de maio, quando um estudante de Direito também foi retirado das atividades acadêmicas pelo mesmo motivo. O escândalo veio à tona após o vazamento de mensagens em redes sociais e grupos de aplicativos, onde o "ranking" era discutido por estudantes, incitando a violência sexual contra mulheres da comunidade acadêmica.
A gravidade da situação mobilizou o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que instaurou um procedimento administrativo para acompanhar o caso. O órgão estabeleceu um prazo de cinco dias para que a Reitoria da UFMT detalhe as medidas internas adotadas. Além disso, o Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) foram solicitados a fornecer provas e documentos que auxiliem na apuração dos crimes.
Em resposta à insegurança relatada pelos alunos, especialmente após as supostas ameaças feitas pelo policial federal, a Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet) tem acompanhado os estudantes nas instâncias policiais. As aulas presenciais em determinados setores chegaram a ser suspensas, sendo substituídas pelo modelo remoto por tempo indeterminado, visando garantir a integridade física e psicológica do corpo discente diante das graves denúncias de incitação à violência.
Fonte: G1 Mato Grosso
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