UFMT afasta calouro de Direito e instaura processo disciplinar após ameaças de violência sexual contra alunas

UFMT afasta calouro de Direito e instaura processo disciplinar após ameaças de violência sexual contra alunas

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) formalizou o afastamento cautelar de um estudante do primeiro semestre da Faculdade de Direito em Cuiabá, após a repercussão de mensagens de conteúdo misógino e ameaças de violência sexual contra colegas de curso. A medida, tomada na última quarta-feira (6), visa garantir a segurança das vítimas e a integridade da comunidade acadêmica enquanto tramita o Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O caso, que gerou protestos espontâneos no campus, envolve a criação de um degradante "ranking" classificando estudantes por critérios de violência de gênero.

A suspensão preventiva está fundamentada na legislação interna da universidade (CONSUNI 281/2025) e pode culminar na expulsão definitiva do acadêmico. De acordo com o advogado especialista em processos disciplinares, Yuri Machado, o rito administrativo possui etapas bem definidas. "Um processo disciplinar dura cerca de 60 dias até a decisão do diretor da faculdade de direito da UFMT. Dessa decisão, cabe recurso ao conselho universitário, que pode manter a decisão ou alterá-la. Somente aí ele efetivamente será expulso", esclareceu o especialista.

Além do afastamento do calouro, a UFMT instaurou um PAD para identificar e investigar a participação de outros estudantes que possam estar envolvidos na elaboração ou disseminação das mensagens. O curso de Direito da UFMT é reconhecido como um dos mais tradicionais e concorridos do estado, exigindo elevadas notas de corte no Enem, o que torna a gravidade dos fatos ainda mais impactante para o ambiente acadêmico.

O escândalo foi revelado pelo Centro Acadêmico após o vazamento de conversas em que os envolvidos detalhavam intenções de abuso sexual. Em resposta oficial, a instituição manifestou seu posicionamento ético: “A Universidade Federal de Mato Grosso repudia veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos no âmbito de sua comunidade acadêmica”.

Diante da gravidade dos elementos apresentados, a direção da faculdade determinou, além da sanção administrativa, a implementação imediata de medidas de proteção e acompanhamento institucional para as alunas afetadas. Embora o episódio tenha mobilizado o corpo discente em manifestações públicas, até o fechamento desta reportagem, não havia registro formal da ocorrência junto à Polícia Civil.

Fonte: G1 Mato Grosso

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