Tribunal do Júri julga casal acusado de matar recém-nascido em Barra do Bugres

O Tribunal do Júri se reúne na próxima terça-feira (24), a partir das 8h30, para julgar o casal acusado de envolvimento na morte do próprio filho, um recém-nascido de apenas 40 dias. O trágico episódio ocorreu em janeiro de 2021, no município de Barra do Bugres, situado a cerca de 170 quilômetros da capital mato-grossense. A sessão, confirmada pelas autoridades judiciárias na última quinta-feira (19), deve analisar as graves acusações de homicídio qualificado e fraude processual que pesam sobre os genitores.
De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Civil, a causa do óbito da criança foi identificada como traumatismo cranioencefálico, acompanhado de uma provável convulsão, ambos resultantes de um impacto causado por objeto contundente. No início das apurações, a linha de investigação considerava a hipótese de homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, sob a suspeita de que os pais teriam adormecido sobre o bebê, provocando uma asfixia acidental durante o sono.
Entretanto, o rumo das investigações mudou drasticamente após a localização de vestígios de sangue na varanda da residência da família. Exames periciais realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) atestaram que o material biológico encontrado era sangue humano, refutando a tese inicial de acidente doméstico e apontando para uma ação violenta.
Durante a fase de depoimentos coordenada pelo delegado Rodolpho Bandeira, os réus apresentaram contradições significativas. Segundo as autoridades, o casal não conseguiu oferecer uma explicação plausível para a presença de sangue no imóvel e apresentou versões divergentes sobre os fatos ocorridos no dia da morte.
Atualmente, os réus enfrentam acusações de homicídio qualificado, com a agravante de emprego de meio cruel. Além disso, respondem pelo crime de fraude processual, uma vez que a investigação aponta que houve uma tentativa deliberada de alterar a cena do crime com o objetivo de induzir os peritos ao erro e dificultar o esclarecimento da verdade real. O julgamento é aguardado com grande expectativa pela comunidade local, diante da gravidade e da natureza sensível dos fatos narrados no processo.
Fonte: G1 Mato Grosso
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