Trajetória e Resistência: Quem é a presidente do TRT-MT que denunciou racismo estrutural em Cuiabá

Trajetória e Resistência: Quem é a presidente do TRT-MT que denunciou racismo estrutural em Cuiabá

A desembargadora Adenir Carruesco, atual presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT), trouxe a público um episódio de racismo estrutural vivenciado em um supermercado de Cuiabá. A magistrada, que é a segunda mulher negra a comandar a Corte estadual e a primeira oriunda da magistratura de carreira, relatou ter sido abordada por uma cliente que a confundiu com uma funcionária do estabelecimento, solicitando informações sobre produtos e localizações.

Natural de Santa Cruz de Monte Castelo (PR), Adenir possui uma trajetória sólida de quase três décadas na Justiça do Trabalho. Sua carreira em Mato Grosso teve início em 1994, como juíza substituta. Ao longo dos anos, atuou em municípios como Alta Floresta e Primavera do Leste, consolidando sua experiência em Rondonópolis, onde permaneceu por 16 anos na 1ª Vara. Em dezembro de 2021, alcançou o cargo de desembargadora, assumindo a presidência do tribunal para o biênio 2024/2025.

O desabafo sobre o ocorrido no supermercado foi compartilhado pela magistrada em suas redes sociais, onde ela analisou o incidente sob a ótica do preconceito institucionalizado. "O lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz: ‘Preto não é juiz. Preto não é desembargador’. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal", afirmou Carruesco no vídeo que gerou ampla repercussão.

Apesar da gravidade simbólica do fato, a desembargadora optou por não registrar um boletim de ocorrência, justificando que sua intenção não é punir um indivíduo isolado, mas sim expor uma falha estrutural da sociedade. "Na hora, compreendi o que estava acontecendo: não era um erro individual [...] Minha denúncia não é contra uma pessoa; é contra uma estrutura", explicou em entrevista.

A trajetória de Adenir Carruesco é marcada pela superação e dedicação acadêmica. Antes de ingressar na magistratura, ela trabalhou no fórum do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, onde despertou seu interesse pelo Direito. Durante a graduação em Dourados, conciliou os estudos com o trabalho para auxiliar no sustento familiar. Além de sua atuação nos tribunais, a desembargadora também contribuiu para a formação de novos profissionais ao lecionar em faculdades de Direito durante seu período em Rondonópolis.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT