Tradição das redeiras de Limpo Grande é eternizada em inventário inédito de patrimônio imaterial

Tradição das redeiras de Limpo Grande é eternizada em inventário inédito de patrimônio imaterial

Os saberes ancestrais das redeiras de Limpo Grande, comunidade localizada no distrito de Capão Grande, em Várzea Grande, estão sendo formalmente documentados por meio de um inventário inédito. O projeto, viabilizado por um edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e executado pela Associação Tece Arte, busca catalogar e preservar o patrimônio imaterial dessa região, garantindo que as técnicas de tecelagem manual sejam perpetuadas para as futuras gerações.

O levantamento detalha minuciosamente todas as fases da confecção das peças, abrangendo desde a extração da matéria-prima até os toques finais do acabamento. Atualmente em fase de entrevistas, a iniciativa utiliza registros audiovisuais e depoimentos das artesãs para compor um acervo digital. A previsão é que o material completo seja lançado em junho, servindo como uma fonte rica de consulta para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular mato-grossense.

Historicamente, o conhecimento sobre a tecelagem em Limpo Grande tem sido transmitido de forma oral entre gerações. O inventário cumpre o papel fundamental de registrar não apenas a técnica, mas também a nomenclatura dos pontos utilizados, o simbolismo das cores e as trajetórias de vida das mulheres que mantêm viva essa tradição. Para essas artesãs, a produção de redes representa muito mais do que um ofício; é um pilar de identidade cultural e uma importante fonte de subsistência econômica.

No Centro Cultural de Limpo Grande, aproximadamente 50 mulheres da zona rural dedicam-se diariamente à produção. O local funciona como um polo de resistência cultural, oferecendo oficinas que ensinam as técnicas artesanais a novos aprendizes. Inserida em um contexto de agricultura familiar, a comunidade, que abriga cerca de 200 famílias, transformou a tecelagem em um dos principais símbolos de Mato Grosso.

As redes produzidas na localidade são reconhecidas pela vivacidade de suas cores e pelos desenhos que homenageiam a fauna e a flora regionais. Devido ao rigoroso processo manual e ao uso exclusivo de fios 100% algodão, uma única peça pode levar até dois meses para ser concluída, resultando em um produto de alta durabilidade e conforto excepcional.

Fonte: G1 Mato Grosso

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