Tecnologia e inovação: Indígenas em Mato Grosso são capacitados no uso de drones para combate a incêndios florestais

Tecnologia e inovação: Indígenas em Mato Grosso são capacitados no uso de drones para combate a incêndios florestais

O uso de tecnologia de ponta tornou-se um pilar fundamental na preservação ambiental e na proteção das terras indígenas em Mato Grosso. Por meio de uma cooperação estratégica entre o Ibama, via Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), e a Fundação Bunge, comunidades indígenas estão sendo capacitadas para operar drones e sistemas avançados de geoprocessamento. A iniciativa visa otimizar o monitoramento territorial e conferir maior precisão às táticas de combate às queimadas, unindo o conhecimento ancestral dos povos originários à inovação técnica.

Durante o ciclo de 2025, o programa promoveu dois treinamentos intensivos de pilotagem de aeronaves remotamente pilotadas (drones) e um curso especializado em geoprocessamento voltado ao manejo integrado do fogo. A capacitação alcançou 66 brigadistas, incluindo 24 representantes indígenas de diversos estados, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará e Maranhão. O projeto-piloto desta ação teve início no município de Canarana, beneficiando diretamente as etnias Xavante e Boe Bororo, sob a coordenação do Prevfogo, que define os critérios técnicos e as comunidades participantes.

A implementação dos drones oferece vantagens táticas significativas. Segundo Leandro Morilha, gerente de projetos sociais, os equipamentos funcionam como um suporte logístico essencial: “Em essência, os drones se tornam um 'olhar aéreo' para os brigadistas, que já possuem um profundo conhecimento do terreno e das dinâmicas do fogo, potencializando suas estratégias e ações no dia a dia”. Além de mapear regiões de difícil acesso, a tecnologia auxilia na criação de aceiros e na execução de queimas controladas, garantindo rotas de fuga seguras para os brigadistas em campo.

A urgência dessas medidas é ratificada pelos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontam um crescimento expressivo nos focos de calor em Mato Grosso. Somente neste ano, foram registrados mais de 700 focos, um salto considerável em relação aos 222 identificados no mesmo período do ano anterior. Diante desse cenário, o Governo do Estado decretou estado de emergência ambiental, implementando restrições rigorosas ao uso do fogo para limpeza de áreas entre os meses de julho e novembro, visando mitigar os impactos das estiagens e proteger a biodiversidade local.

Fonte: G1 Mato Grosso

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