STJ ratifica decisão para que acusada de homicídio contra gestante em Cuiabá passe por perícia psiquiátrica

STJ ratifica decisão para que acusada de homicídio contra gestante em Cuiabá passe por perícia psiquiátrica

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou, em decisão unânime, a necessidade de submeter Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, a um exame de sanidade mental. A acusada responde pelo homicídio da adolescente Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, que estava grávida no momento do crime. O caso, ocorrido em março de 2025 na capital mato-grossense, chocou a opinião pública pela gravidade das circunstâncias envolvidas.

A determinação do STJ ratifica o entendimento anterior do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A Corte estadual já havia decidido pela realização da avaliação psiquiátrica antes que fosse definido se a ré seria levada a júri popular. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tentou reverter essa decisão por meio de recurso à instância superior, mas os ministros do STJ mantiveram a obrigatoriedade do exame para verificar se a acusada possuía plena capacidade de compreender a ilicitude de seus atos no período dos fatos.

A defesa de Nataly Pereira argumenta que a medida é essencial, apontando que a cliente possui um histórico de sofrimento psíquico, inclusive com acompanhamento especializado dentro do sistema prisional. Relatos de familiares sobre traumas anteriores também foram anexados ao processo para justificar a perícia. Segundo os advogados, esses elementos são cruciais para garantir a integridade do processo legal e a correta análise da responsabilidade penal da ré.

O crime, investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aponta que a vítima foi atraída sob o pretexto de receber doações de roupas. Na ocasião, a adolescente foi asfixiada em uma residência no bairro Jardim Florianópolis. A investigação detalhou que a acusada teria simulado a própria gravidez durante meses, utilizando documentos falsos para sustentar a farsa perante a família, com o objetivo final de subtrair o recém-nascido.

Nataly foi detida após procurar atendimento médico em um hospital de Cuiabá, alegando ter dado à luz em domicílio. A equipe de saúde, ao notar inconsistências no relato, acionou as autoridades. Em depoimento, ela confessou a autoria do crime. Atualmente, a criança está sob os cuidados da família materna. A denúncia aceita pela Justiça inclui crimes de feminicídio, tentativa de aborto, ocultação de cadáver, subtração de recém-nascido e falsidade ideológica.

Fonte: G1 Mato Grosso

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