STF determina soltura de investigado em esquema de venda de sentenças no STJ por excesso de prazo

STF determina soltura de investigado em esquema de venda de sentenças no STJ por excesso de prazo

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade a Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado pelas investigações como um dos articuladores de um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão fundamenta-se no excesso de prazo para o oferecimento da denúncia formal, uma vez que o investigado estava sob custódia desde novembro de 2023. Atualmente, ele cumpria prisão domiciliar devido a um quadro clínico severo e perda acentuada de peso.

Ao justificar a soltura, o ministro Zanin destacou o tempo prolongado da medida restritiva sem que houvesse a apresentação da peça acusatória pelo Ministério Público. "Considerado o dilatado tempo de prisão preventiva sem apresentação da peça acusatória, a substituição da custódia cautelar por monitoração eletrônica, acrescida das demais medidas cautelares já impostas nos autos", pontuou o magistrado em seu despacho. O investigado deverá manter o uso de tornozeleira eletrônica e cumprir outras restrições impostas pela justiça.

Antes de progredir para o regime domiciliar em julho, Andreson esteve detido na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Durante o período de encarceramento, sua defesa relatou uma perda de peso superior a 25 quilos e o agravamento de um quadro de diabetes, condições que seriam reflexo de uma cirurgia de gastrectomia vertical com interposição ileal realizada em 2020. O procedimento, que altera a absorção de nutrientes, teria tornado o estado de saúde do custodiado crítico dentro da unidade prisional.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal descrevem a existência de um sofisticado "mercado paralelo de influência". Segundo o relatório, contratos milionários de consultoria e advocacia eram utilizados para mascarar a compra de sentenças previamente combinadas. O esquema contaria com a participação de servidores públicos, que vazavam informações sigilosas e minutas de decisões, além de lobistas e advogados que captavam clientes, majoritariamente empresários do setor do agronegócio interessados em desfechos judiciais favoráveis.

Para ocultar as atividades ilícitas, o grupo utilizava métodos característicos de organizações criminosas, como o uso de codinomes, empresas de fachada e linguagem cifrada. Expressões como "a obra está pronta" eram frequentemente empregadas para sinalizar que uma minuta de decisão já havia sido finalizada conforme o interesse dos pagadores. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao STF o aprofundamento das diligências para detalhar a extensão da rede de influência nos tribunais superiores.

Fonte: G1 Mato Grosso

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