STF denuncia lobista por esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro em Mato Grosso

STF denuncia lobista por esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro em Mato Grosso

O Supremo Tribunal Tribunal Federal (STF) formalizou, nesta quarta-feira (27), a denúncia contra o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves por envolvimento em um complexo esquema de venda de decisões judiciais. A acusação abrange os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional. Além de Andreson, outras oito pessoas foram denunciadas no âmbito das investigações que sacudiram o Judiciário em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

As investigações ganharam corpo a partir de agosto de 2024, após a perícia no aparelho celular do advogado Roberto Zampieri, executado em dezembro de 2023 no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O conteúdo das mensagens revelou indícios de negociações ilícitas envolvendo magistrados de instâncias estaduais e até suspeitas direcionadas a ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a Polícia Federal, o lobista atuaria como o elo central entre advogados e desembargadores, facilitando o trânsito de interesses escusos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O esquema financeiro, de acordo com o relatório policial, utilizava a empresa Florais Transportes como fachada para a lavagem de capitais. A PF aponta que contratos simulados e notas fiscais com descrições genéricas eram emitidos para justificar movimentações financeiras vultosas, que poderiam atingir a cifra de R$ 10 milhões diários. O setor de transportes era estrategicamente escolhido pela dificuldade intrínseca de rastreio de cargas e operações interestaduais, conferindo uma aparência de legalidade ao fluxo de dinheiro ilícito.

Andreson Gonçalves, que mantinha um perfil discreto antes das operações Ultima Ratio e Sisamnes, enfrenta agora um quadro severo de saúde. Após perder peso de forma drástica durante o período de detenção na Penitenciária Central do Estado (PCE), sua prisão foi convertida em domiciliar. A defesa sustenta que uma cirurgia bariátrica realizada em 2020 exige dieta rigorosa, impossível de ser cumprida no sistema prisional comum. Mesmo sob monitoramento, o STF determinou novas diligências em novembro de 2025, após indícios de que as atividades de lavagem de dinheiro persistiam.

O desdobramento do caso resultou no afastamento de desembargadores do TJMT e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que passaram a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. O processo segue em tramitação nas instâncias superiores, consolidando-se como uma das maiores frentes de combate à corrupção no Judiciário do Centro-Oeste brasileiro.

Fonte: G1 Mato Grosso

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