Síndica denuncia injúria racial e tentativa de agressão em condomínio de Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou uma investigação para apurar uma denúncia de injúria racial, ameaça e agressão ocorrida em um condomínio no município de Várzea Grande. O caso envolve a síndica do residencial, Selma Guimarães Souza, de 50 anos, que registrou um boletim de ocorrência contra uma moradora após um desentendimento motivado por problemas estruturais no edifício. Câmeras de monitoramento do local registraram o momento em que a suspeita tentou agredir a gestora fisicamente.
O conflito teria começado quando a moradora solicitou que a administração do condomínio realizasse o reparo de uma infiltração em seu banheiro. De acordo com o relato da síndica, foi seguido o protocolo padrão de solicitar um laudo técnico para identificar a origem do problema. "Precisava do laudo da engenharia para ver de quem era a responsabilidade, se era do condomínio ou do morador do apartamento de cima", esclareceu Selma. O documento pericial concluiu que a falha não era estrutural do prédio, mas sim proveniente da unidade superior.
Diante da conclusão técnica, a síndica informou à moradora que a gestão não poderia arcar com os custos, restando ao condomínio apenas a mediação entre as partes envolvidas. "A única coisa que eu podia fazer era notificar os dois moradores envolvidos para que cada um arcasse com as respectivas responsabilidades", explicou a vítima. A negativa teria desencadeado a fúria da condômina, que passou a proferir ofensas de cunho racista e tentou partir para o confronto físico.
Segundo o depoimento de Selma, as agressões verbais foram diretas e discriminatórias. "Ela começou a dizer que eu não representava o condomínio, que não tinha perfil de síndica, me chamou de nojenta e de ‘preta nojenta’. Ela levantou a mão para me agredir, mas dois moradores perceberam e me defenderam", relatou. As imagens de segurança corroboram parte do relato, mostrando a moradora sendo contida por vizinhos e chegando a erguer uma cadeira para arremessá-la contra a síndica.
Até o momento, a moradora investigada não se manifestou publicamente sobre o ocorrido. O caso segue sob análise das autoridades policiais, que devem ouvir testemunhas e analisar o material audiovisual para dar prosseguimento ao inquérito. A situação reforça a importância do combate ao racismo e à violência em ambientes coletivos, onde o respeito e a legalidade devem prevalecer sobre conflitos administrativos.
Fonte: G1 Mato Grosso
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