Servidor da Politec é preso por emitir identidades falsas para liderança de facção criminosa em Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso identificou Wilton Souza de Arruda, servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), como o principal alvo de uma investigação que apura a emissão de documentos de identidade ideologicamente falsos para lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu nesta quarta-feira (6), em Várzea Grande, durante o desdobramento da segunda fase da Operação Hidra. O investigado, que atuava como papiloscopista, é suspeito de facilitar a vida clandestina de criminosos de alta periculosidade no estado.
De acordo com as investigações conduzidas pelas autoridades policiais, Wilton teria sido o responsável por confeccionar documentação falsa para Ricardo Batista Ambrózio, de 44 anos, conhecido pela alcunha de “Perfume”. Ambrózio é apontado como um dos principais chefes da organização criminosa fora do sistema prisional de São Paulo e foi capturado em julho deste ano, após permanecer foragido por mais de uma década. A função de papiloscopista exercida pelo servidor era estratégica, uma vez que ele detinha a atribuição oficial de emitir documentos de identificação e processar dados biométricos.
Durante a execução dos mandados de busca e apreensão, as equipes policiais realizaram diligências na residência do servidor, localizada em Várzea Grande, e em seu local de trabalho, o Instituto Médico Legal (IML) em Cuiabá. Além de documentos e materiais relacionados à investigação principal, os agentes apreenderam substâncias ilícitas, incluindo anabolizantes e canetas emagrecedoras de comercialização controlada. Em resposta oficial aos fatos, a Politec comunicou, por meio de nota, a imediata exoneração do servidor de seus quadros após a deflagração da operação.
A primeira fase da Operação Hidra, que culminou na prisão de "Perfume", revelou que o líder criminoso residia na região metropolitana de Cuiabá desde 2013, utilizando-se de identidades fraudulentas para esquivar-se de uma condenação de 16 anos de prisão por tráfico de drogas e associação criminosa. Na ocasião, a esposa do suspeito também foi detida em flagrante pelo uso de documentos falsos. O caso segue sob investigação para apurar a extensão do esquema e se houve a participação de outros agentes públicos na facilitação de registros civis para membros de facções criminosas.
Fonte: G1 Mato Grosso
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