Sema-MT notifica fazendeiro para preservar ninho de gavião-real ameaçado de extinção

Sema-MT notifica fazendeiro para preservar ninho de gavião-real ameaçado de extinção

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) emitiu uma notificação formal ao proprietário de uma fazenda localizada no município de Tapurah com o intuito de assegurar a preservação de uma árvore que abriga um ninho de gavião-real (Harpia harpyja). A ave, considerada a maior águia das Américas, encontra-se em perigo de extinção, o que mobilizou as autoridades ambientais após o animal ser identificado durante atividades de monitoramento da fauna silvestre na região.

Conforme as diretrizes estabelecidas pelo órgão ambiental, o proprietário do imóvel rural está obrigado a manter uma zona de exclusão de, no mínimo, 150 metros de raio ao redor da árvore hospedeira. Essa medida protetiva é fundamental para garantir a integridade do filhote durante seu período de desenvolvimento e aprendizado de voo, além de mitigar quaisquer interferências humanas que possam comprometer o comportamento natural e o ciclo reprodutivo da espécie.

Em cumprimento à determinação oficial, o titular da propriedade assegurou que respeitará integralmente as restrições impostas. De acordo com o produtor, o perímetro será devidamente sinalizado com placas indicativas de proibição de corte. Além disso, as equipes responsáveis pelas operações de manejo florestal na fazenda foram devidamente instruídas a evitar qualquer tipo de intervenção ou atividade na área delimitada, priorizando a conservação do habitat da harpia.

A Sema-MT ressaltou que o manejo florestal sustentável, quando executado corretamente, permite a extração seletiva de madeira respeitando a regeneração natural da floresta. Atualmente, o estado de Mato Grosso contabiliza aproximadamente 5,2 milhões de hectares sob regime de manejo florestal, com a meta ambiciosa do Programa Carbono Neutro 2035 de expandir essa área para 6 milhões de hectares.

A harpia é uma espécie de vida longa, mas possui uma taxa reprodutiva notadamente baixa, com um tempo geracional estimado em 18,5 anos. Seus ninhos são estruturas robustas construídas no topo de árvores emergentes. Embora a fêmea costume botar dois ovos, geralmente apenas um filhote sobrevive e se desenvolve. Devido à fragmentação de seus habitats e à pressão da caça, a ave é classificada nacionalmente como "vulnerável" e globalmente como "quase ameaçada", tornando iniciativas de preservação local cruciais para a sobrevivência da espécie.

Fonte: G1 Mato Grosso

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