Santuário de Elefantes em Mato Grosso celebra 10 anos de atuação na reabilitação de animais resgatados

Localizado na exuberante região da Chapada dos Guimarães, o Santuário de Elefantes Brasil (SEB) celebra um marco histórico: dez anos de dedicação ao resgate e reabilitação de elefantes que foram vítimas de maus-tratos ou que viveram décadas em confinamento. A trajetória da instituição, que é pioneira na América Latina, teve um momento determinante em 11 de outubro de 2016, com a chegada das elefantas Guida e Maia, as primeiras moradoras da reserva após serem libertadas de uma vida de exploração em circos.
Fundada em 2014 como uma organização sem fins lucrativos, a associação transformou-se em um refúgio vital para a recuperação física e emocional desses gigantes. Atualmente, o santuário abriga sete exemplares da espécie: Maia, Rana, Bambi, Mara, Baby, Guilhermina e, mais recentemente, Sandro. O espaço é rigorosamente técnico e não permite visitação pública, priorizando o bem-estar animal em um ambiente que simula o habitat natural, com vasta vegetação, lagos e estímulos que incentivam a autonomia dos elefantes.
A chegada de Sandro, o primeiro macho a integrar o grupo, marcou uma nova fase para o SEB em setembro deste ano. Aos 54 anos, o elefante foi transferido após passar mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). A mudança foi fruto de uma longa disputa judicial entre a Prefeitura de Sorocaba e o Ministério Público de São Paulo, culminando na decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em favor do bem-estar do animal, visando oferecer-lhe uma estrutura especializada após a perda de sua companheira, Haisa, em 2020.
No santuário, a rotina é planejada para reduzir o estresse acumulado por anos de cativeiro. De acordo com a administração do SEB, o manejo foca no estímulo à autonomia. "Os animais têm liberdade para decidir quando e onde querem caminhar, banhar-se nos lagos ou descansar, desenvolvendo rotinas próprias", explicou a instituição. O acompanhamento é realizado diariamente por uma equipe multidisciplinar composta por veterinários, biólogos e tratadores especializados.
Embora a transferência de Sandro tenha gerado debates e protestos por parte de frequentadores do zoológico de origem, os responsáveis pelo santuário asseguram que todos os protocolos de segurança e saúde foram seguidos. A estrutura do local respeita a organização social natural, mantendo separações técnicas que permitem a comunicação visual e sonora entre os animais, garantindo que cada indivíduo redescubra sua essência em um ambiente de paz e proteção.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT