Réu recebe voz de prisão após ameaçar jurada durante julgamento em Mato Grosso

Réu recebe voz de prisão após ameaçar jurada durante julgamento em Mato Grosso

Um julgamento realizado na comarca de Barra do Bugres, a 169 km de Cuiabá, terminou com a prisão imediata de um réu nesta quarta-feira (4), após ele ameaçar uma das integrantes do conselho de sentença. O homem, de origem indígena, acabara de ser condenado a quatro anos de reclusão por uma tentativa de homicídio contra outro indígena quando, ao ouvir a sentença, simulou o gesto de uma arma de fogo em direção a uma das juradas.

O promotor de Justiça Roberto Farinazzo, responsável pela acusação, deu voz de prisão em flagrante no exato momento da intimidação. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o condenado respondia ao processo em liberdade, mas teve a condição revogada devido à gravidade do ato praticado dentro do tribunal. Posteriormente, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva, garantindo que o agressor permaneça detido.

Para o promotor Roberto Farinazzo, a atitude do réu extrapolou a ameaça individual, configurando um atentado contra o sistema judiciário. "Essa audácia do acusado representa uma ameaça não só contra a jurada. Ela atinge a instituição de Justiça como um todo, atinge a própria democracia, tendo em vista que o Tribunal do Júri é um tribunal democrático, já que formado pelo próprio povo", declarou o representante do Ministério Público.

Farinazzo ressaltou ainda que a tentativa de represália é inócua no sentido técnico, uma vez que o voto dos jurados é protegido pelo sigilo, impossibilitando que o réu saiba o posicionamento específico de cada membro. Entretanto, a conduta foi classificada como inaceitável. "Essa ameaça que ele tenta desferir contra o jurado, na verdade, não atinge o jurado. Ela atinge a instituição de Justiça como um todo", reforçou.

Além da tentativa de homicídio pela qual foi sentenciado, o Ministério Público informou que o homem já possui registros criminais anteriores, incluindo casos de violência doméstica contra mulheres. A rápida intervenção das autoridades em Barra do Bugres foi vista como uma resposta institucional necessária para preservar a integridade dos cidadãos que servem ao Poder Judiciário. "Um ataque institucional, um ataque democrático como esse, precisa de uma resposta e, hoje, essa resposta foi dada", finalizou o promotor.

Fonte: G1 Mato Grosso

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