Réu confesso detalha plano e motivação financeira em julgamento do caso Renato Nery

Réu confesso detalha plano e motivação financeira em julgamento do caso Renato Nery

Durante sessão do Tribunal do Júri realizada nesta quarta-feira (15), o réu confesso Alex Roberto de Queiroz Silva detalhou as circunstâncias que levaram ao assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em julho de 2024. Em seu depoimento, o caseiro afirmou que a decisão de executar o crime surgiu após um diálogo com o policial militar Heron Teixeira durante um churrasco, ocasião em que o militar teria mencionado a existência de uma proposta de R$ 200 mil pela morte da vítima.

Segundo o relato do réu, o crime foi motivado por dificuldades financeiras extremas, uma vez que ele estaria sofrendo ameaças de agiotas contra sua família. Alex Roberto descreveu que, após ouvir sobre a recompensa, pesquisou a identidade do advogado e planejou a emboscada em frente ao escritório da vítima. O atirador revelou ainda que chegou a desistir do ato em uma primeira tentativa, mas decidiu retornar no dia seguinte após receber novas ameaças em sua residência.

A investigação aponta que o homicídio foi motivado por disputas judiciais envolvendo uma área de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim. O Ministério Público sustenta que o crime foi encomendado pelo casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, que teriam efetuado o pagamento de R$ 200 mil. A estrutura criminosa contaria com a participação de policiais militares, que atuaram como intermediários na logística, fornecimento de armamento e distribuição dos valores.

O rastreamento bancário realizado pela Polícia Civil confirmou movimentações financeiras atípicas que somam R$ 215 mil, iniciadas em março de 2024. De acordo com os autos, os valores passaram por contas de terceiros e foram utilizados até para a compra de veículos, em uma tentativa de ocultar a origem ilícita do montante. O advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo ao chegar para trabalhar e faleceu um dia após o atentado em uma unidade de saúde da capital mato-grossense.

Fonte: G1 Mato Grosso

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