Registro raro: Onça-preta é flagrada por câmeras de monitoramento no interior de Mato Grosso

Um registro raro e de grande valor científico surpreendeu pesquisadores e entusiastas da fauna silvestre no interior de Mato Grosso. Uma onça-preta, animal de beleza singular, foi flagrada por câmeras de monitoramento em uma pousada localizada no município de São José do Rio Claro, a cerca de 297 km da capital. O flagrante ocorreu na noite do último sábado (25) e faz parte de um projeto dedicado ao mapeamento e preservação de grandes felinos na região.
As imagens capturadas mostram o animal de grande porte caminhando com serenidade por uma área de mata, aproximando-se do equipamento ativado por sensores de movimento. Segundo Abigail Martin, presidente do Jaguar ID Project — iniciativa responsável pela identificação dos felinos na localidade —, o monitoramento realizado ao longo de um ano já permitiu a identificação de pelo menos quatro machos e duas fêmeas. Para a especialista, o registro é um indicativo vital da resiliência da espécie frente aos desafios ambientais.
“Quase não tem floresta lá, e em um ano conseguimos registrar várias onças. É um lugar muito importante para chamar atenção, porque ainda existem esses animais incríveis lá”, afirmou Abigail, destacando a relevância da conservação das áreas remanescentes, que muitas vezes estão cercadas por plantações de soja e cana-de-açúcar.
Cientificamente, a onça-preta não é uma espécie distinta, mas sim uma variação genética da onça-pintada (Panthera onca). O fenômeno, conhecido como melanismo, é provocado por um gene dominante que resulta em uma pigmentação escura, ocultando as rosetas características da pelagem tradicional. Fernando Tortato, especialista da ONG Panthera, explicou que essa variação é encontrada nos biomas do Cerrado e da Amazônia, embora seja inexistente no Pantanal. "Dependendo da intensidade do melanismo, as manchas podem ficar levemente visíveis sob a luz", detalhou Tortato.
A captura dessas imagens reforça a necessidade de políticas de proteção ambiental e estudos contínuos. Para os pesquisadores, cada registro desse porte serve como base científica fundamental para justificar a preservação dos corredores ecológicos e garantir que animais magníficos como a onça-preta continuem a habitar as matas mato-grossenses. "Capturar esse indivíduo em câmera é algo muito especial e de grande valor científico", concluiu a presidente do Jaguar ID Project.
Fonte: G1 Mato Grosso
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