Registro raro de acasalamento de sucuris na Transpantaneira surpreende turistas no Pantanal

Registro raro de acasalamento de sucuris na Transpantaneira surpreende turistas no Pantanal

Um registro raro da vida selvagem surpreendeu turistas e especialistas na Rodovia Transpantaneira, que conecta o município de Poconé ao distrito de Porto Jofre, no Pantanal de Mato Grosso. O guia de turismo Lorenzo Cahuana, que acompanhava visitantes estrangeiros, filmou o momento em que três sucuris se entrelaçaram em um ritual de acasalamento durante a travessia da estrada. O fenômeno, conhecido popularmente como "bolo de sucuris", é um comportamento reprodutivo característico da espécie, mas raramente avistado com tal proximidade por viajantes.

O avistamento ocorreu enquanto o grupo se deslocava em velocidade reduzida, prática comum na região para garantir a segurança da fauna local. Segundo o guia, a cena foi inédita em sua carreira. "É normal ver animais atravessando, por isso sempre vamos a 20, 30, no máximo 40 km/h. Quando vimos a sucuri, descemos devagar para observar. Uma delas acabou voltando para o mato e pensei que tinha perdido o registro, mas ela retornou à estrada e, para nossa surpresa, apareceu outra com quem estava acasalando", relatou Cahuana. A experiência tornou-se ainda mais singular quando uma terceira serpente emergiu da vegetação para se juntar ao grupo.

Especialistas explicam que o fenômeno é motivado pela liberação de feromônios por parte da fêmea, que atrai múltiplos machos para a disputa reprodutiva. O biólogo Luiz Eduardo Saragiotto esclarece que há uma diferença marcante de tamanho entre os sexos: "As sucuris fêmeas chegam a 6 a 7 metros de comprimento, enquanto os machos raramente passam de 2". Essa disparidade frequentemente leva leigos a confundirem o grupo com uma mãe acompanhada de filhotes.

Além da complexidade do acasalamento, a biologia da espécie apresenta outras curiosidades, como a ausência de cuidado parental. As fêmeas podem dar à luz entre 30 e 40 filhotes, que devem sobreviver por conta própria desde o nascimento. "Depois que uma sucuri pare os filhotes, ela vai embora, ninguém cuida deles. Geralmente, elas dão à luz muitos filhotes para que algum possa chegar à fase adulta", pontuou Saragiotto. Biólogos recomendam que, ao presenciar tais cenas, os turistas mantenham distância para não interferir no ciclo natural ou provocar reações defensivas nos animais.

Fonte: G1 Mato Grosso

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