Registro inusitado: Quati utiliza remo de pescadores para descansar durante travessia no Rio Xingu

Registro inusitado: Quati utiliza remo de pescadores para descansar durante travessia no Rio Xingu

Um registro inusitado de interação entre a fauna silvestre e o homem chamou a atenção nas redes sociais nesta terça-feira (10), no Rio Xingu, região norte de Mato Grosso. Um quati, demonstrando sinais visíveis de exaustão, utilizou o remo de um grupo de pescadores como suporte para descansar durante uma tentativa de travessia fluvial. O episódio ocorreu em uma das áreas mais tradicionais para a prática da pesca esportiva no estado.

As imagens, registradas e compartilhadas pelo pescador Yan Xingu, detalham o momento em que o mamífero nadava com dificuldade contra a correnteza. Ao perceber a aproximação da embarcação, o animal se agarrou ao remo estendido pelos pescadores, subindo no equipamento para recuperar as energias. A conduta dos ocupantes do barco foi de auxílio, mantendo a ferramenta firme para garantir a segurança do animal durante a pausa.

De acordo com a análise do biólogo Henrique Abrahão Charles, o comportamento do animal possui explicações fundamentadas na biologia da espécie. Os quatis são animais diurnos e onívoros, conhecidos por viverem em grupos sociais complexos, embora os machos adultos apresentem hábitos mais solitários. "As fêmeas costumam permanecer escondidas e em grupo. Já os machos, na vida adulta, são mais solitários. Por isso, a suspeita é de que esse seja um macho atravessando o rio ou uma fêmea que se perdeu do bando", explicou o especialista.

Apesar da cena parecer um gesto de docilidade, o biólogo faz um alerta importante sobre o manejo de animais silvestres. Segundo Charles, a subida no remo foi uma resposta ao cansaço físico e não necessariamente um sinal de domesticação ou reconhecimento de ajuda humana. "Inclusive, pode dar uma mordida bastante dolorida. O quati tem presas longas que podem exigir pontos em caso de ferimento, por isso todo cuidado é pouco", ressaltou.

O Rio Xingu é um ecossistema vital para diversas espécies e o flagrante reforça a importância da convivência respeitosa entre os praticantes de atividades náuticas e a biodiversidade local. O quati, que utiliza seu olfato apurado para localizar alimentos na floresta, encontrou nos pescadores um apoio temporário para vencer a força das águas.

Fonte: G1 Mato Grosso

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