Projeto de Recuperação Ambiental visa Restaurar 5 Mil Hectares na Bacia do Araguaia em Mato Grosso

**CUIABÁ** – Iniciativas de recuperação ambiental na bacia do Rio Araguaia, em Mato Grosso, estão transformando a paisagem de propriedades rurais por meio do plantio de milhares de mudas nativas. O projeto, que integra o programa "Todos pelo Araguaia", estabeleceu a ambiciosa meta de restaurar 5 mil hectares de áreas degradadas em 12 municípios do estado. Até o momento, os indicadores apontam que 164.110 mudas já foram plantadas, abrangendo 341 hectares em processo de regeneração desde o início de 2024.
O trabalho operacional é minucioso e envolve desde o diagnóstico das propriedades até o cercamento de trechos para impedir o acesso de animais, preparo do solo e controle de pragas. Segundo especialistas, o objetivo central é criar condições favoráveis para que o Cerrado recupere sua biodiversidade original, protegendo nascentes e cursos d'água essenciais para a região.
O produtor rural João Bosco, residente em Barra do Garças há quatro décadas, relatou os benefícios imediatos da iniciativa. Em sua propriedade, o reflorestamento auxiliou no controle de erosões e evitou o atolamento de gado em áreas de brejo. “A recuperação da vegetação também representa um legado para os filhos”, afirmou o produtor, destacando a importância da preservação para as futuras gerações.
A relevância do projeto é corroborada por estudos da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O pesquisador Ben Hur Marimon ressalta que cerca de 60% da vegetação nativa remanescente do Cerrado está em áreas privadas, o que torna a parceria com os produtores rurais indispensável. “Somente envolvendo o produtor para recuperar essas áreas é que a gente vai ter sucesso. Quando você tem esses problemas de degradação, é muita água indo embora e aí falta na época da seca, então a recuperação dessa vegetação é importante para que a água fique. Com isso, melhora o meio ambiente e o bolso do produtor”, explicou Marimon.
Na região leste do estado, em municípios como Torixoréu e Guiratinga, a ONG Oréades Núcleo de Geoprocessamento coordena a execução de um dos lotes do programa. Até agora, foram plantadas 33.484 mudas de 61 espécies nativas em 22 propriedades. De acordo com Renato Mineiros, responsável pelo reflorestamento, os resultados estruturais na vegetação tornam-se plenamente visíveis entre cinco e dez anos.
Embora o custo de recuperação possa variar entre R$ 32 mil e R$ 62 mil por hectare, o programa garante que os produtores não arquem com esses valores. A expectativa a longo prazo é que a restauração dessas áreas-chave, como matas ciliares e reservas legais, contribua significativamente para a regulação do ciclo hidrológico e a conservação da fauna local.
Fonte: G1 Mato Grosso
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