Produções audiovisuais de Mato Grosso ganham destaque em mostra de cinema no Rio de Janeiro

Quatro documentários produzidos em Mato Grosso ganharam destaque nacional ao serem selecionados para a programação da 6ª Mostra do Filme Marginal, realizada no Rio de Janeiro. O evento, que teve início na última quarta-feira (14) e se estende até o dia 24 de outubro, promove exibições gratuitas em diversos espaços da capital fluminense. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra deste ano reúne um total de 123 obras nacionais e internacionais, evidenciando a força da produção audiovisual mato-grossense, que conta com três direções femininas entre os selecionados locais.
As produções de Mato Grosso abrangem uma diversidade de temáticas urgentes, incluindo a preservação de territórios originários, saberes tradicionais, os efeitos das crises climáticas e a memória histórica da ditadura militar. Entre os destaques está o documentário "Thutalinãnsu", dirigido pela jornalista Helena Corezomae em Sapezal. A obra documenta o trabalho da Associação Thutalinãnsu, na Terra Indígena Tirecatinga, composta por 60 mulheres das etnias Terena, Paresi, Manoki e Nambikwara, focando na salvaguarda da cultura e do Cerrado.
Outra obra relevante é "Mopái Pjuta Ãkakje'y – A Roça e os Alimentos Myky", produção realizada por mulheres indígenas que detalha os conhecimentos ancestrais do povo Myky sobre o cultivo de sementes nativas. O filme ressalta a importância das agricultoras indígenas na manutenção da soberania alimentar e na transmissão de saberes geracionais. Já o documentário "Capim", filmado em Bom Jesus do Araguaia e Cuiabá, narra a trajetória de retomada do território pelo povo Xavante de Marãiwatsédé, contrastando a memória da mata nativa com a realidade das pastagens encontradas após décadas de expulsão.
A capital mato-grossense também é representada pelo filme "60 Anos Depois", com direção de Flávio Ferreira. O documentário é fruto de dois anos de rigorosa pesquisa histórica e apresenta relatos de sobreviventes do regime militar em Mato Grosso. A obra conta com a colaboração dos historiadores Cátia Cristina de Almeida Silva, Francisco das Chagas Rocha, Márcio Borges de Campos e Rafael Adão, buscando consolidar o registro histórico sobre esse período no estado.
Fundada em 2017, a Mostra do Filme Marginal consolida-se como um espaço de resistência e reflexão crítica, promovendo o cinema popular e autoral. Através de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, o festival oferece visibilidade a produções que abordam temáticas sociais e políticas frequentemente excluídas dos circuitos comerciais, fortalecendo a difusão de narrativas diversas e fundamentais para a compreensão da realidade brasileira contemporânea.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT