Prisão de policial penal em Cuiabá é decretada após câmeras refutarem tese de legítima defesa

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cumpriu, nesta quarta-feira (5), o mandado de prisão preventiva contra a policial penal Jorcenilma Franca Viegas, em Cuiabá. A decisão, proferida pela 12ª Vara Criminal da capital, fundamenta-se no avanço das investigações sobre um incidente ocorrido no bairro CPA 4, onde um motociclista, identificado como Carlos Filipe, foi alvejado por diversos disparos de arma de fogo. O elemento determinante para a detenção foi o conflito entre o depoimento inicial da servidora e as evidências colhidas por câmeras de monitoramento.
O episódio aconteceu no último dia 22 de maio. Segundo os registros audiovisuais integrados ao inquérito, a vítima chegou ao local combinado e foi abordada pela policial, que estava acompanhada de sua filha. As imagens detalham que Jorcenilma se identificou e ordenou que o homem se deitasse no chão, efetuando os primeiros disparos logo em seguida. O vídeo contradiz a versão preliminar apresentada pela servidora, que alegava ter agido em legítima defesa após uma suposta tentativa da vítima de tomar sua arma de fogo.
De acordo com a Polícia Civil, a análise técnica das imagens não corrobora a tese de reação por parte do motociclista. O registro visual mostra Carlos Filipe tentando deixar o local com seu veículo enquanto os tiros prosseguiam. Em determinado momento, ele abandona a motocicleta e tenta fugir a pé, mas acaba caindo. A perícia preliminar indica que foram efetuados mais de dez disparos durante a ação.
Originalmente, o caso havia sido registrado pela Polícia Militar como uma possível ocorrência de extorsão. A hipótese levantada era de que a vítima teria encontrado um aparelho celular pertencente à filha da policial e estaria exigindo uma compensação financeira para a devolução do objeto. Entretanto, a conduta da servidora passou a ser questionada diante da desproporcionalidade da força utilizada e da ausência de ameaça física imediata comprovada pelas gravações.
A Polícia Civil de Mato Grosso mantém as investigações em curso para elucidar completamente a dinâmica dos fatos e as motivações que levaram à gravidade da conduta. Até o momento, a defesa da policial penal não se manifestou publicamente sobre a prisão preventiva. O estado de saúde do motociclista e os desdobramentos jurídicos do caso seguem sob acompanhamento das autoridades competentes.
Fonte: G1 Mato Grosso
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