Polícia Civil prende suspeitos de submeter trabalhador a 'tribunal do crime' em São José do Xingu

Polícia Civil prende suspeitos de submeter trabalhador a 'tribunal do crime' em São José do Xingu

A Polícia Civil de Mato Grosso efetuou a prisão de dois indivíduos suspeitos de envolvimento no sequestro e tortura de um trabalhador de 50 anos em São José do Xingu. O crime, ocorrido originalmente no dia 26 de março, envolveu a submissão da vítima a um suposto 'tribunal do crime' conduzido por uma organização criminosa. A operação que resultou nas prisões ocorreu nesta segunda-feira (6), após um detalhado processo investigativo que revelou a brutalidade das ações perpetradas pelos suspeitos.

De acordo com o inquérito policial, o grupo invadiu o alojamento de uma empresa em busca de um terceiro indivíduo. Ao não encontrarem o alvo pretendido, os criminosos renderam o trabalhador, que foi imobilizado e mantido amarrado por aproximadamente uma hora e meia. Durante o período de cárcere, a vítima foi submetida a um processo de "averiguação" para determinar se possuía vínculos com grupos rivais. O aspecto mais alarmante do crime foi a realização de uma chamada de vídeo com um líder da facção, que atuava como "juiz" para decidir o destino do homem.

Além da violência psicológica e física, os criminosos subtraíram o aparelho celular da vítima e a quantia de R$ 100 em espécie. Após ser libertado, o trabalhador procurou as autoridades no dia seguinte para relatar o ocorrido. No entanto, o registro da ocorrência gerou uma nova onda de violência: membros da facção passaram a proferir ameaças de morte contra o homem, em uma tentativa clara de intimidá-lo e obstruir o curso das investigações policiais.

As ordens de prisão foram expedidas pela Comarca de Porto Alegre do Norte, fundamentadas em investigações conduzidas pela Delegacia de São José do Xingu, que contou com o suporte estratégico da Delegacia Regional de Vila Rica. Os detidos agora enfrentam acusações graves, incluindo roubo majorado, corrupção de menores e coação no curso do processo judicial. As autoridades reforçam que o combate a essas estruturas paralelas de "julgamento" é prioridade para garantir a segurança da população e a soberania da lei no interior do estado.

Fonte: G1 Mato Grosso

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