Polícia Civil detalha prisão de suspeito de feminicídio em Cuiabá e aponta perfil de criminoso em série

A Polícia Civil de Mato Grosso forneceu detalhes contundentes sobre a prisão de Marcos Pereira Soares, suspeito de um crime brutal que vitimou sua própria irmã, de apenas 17 anos, em Cuiabá. Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (12), a delegada Jéssica Assis descreveu o investigado como um "criminoso sexual em série", destacando a periculosidade extrema que ele representa para a sociedade, especialmente para mulheres e crianças. O suspeito havia sido solto do complexo penitenciário de Várzea Grande na semana anterior ao crime, devido a uma possível falha administrativa no sistema judiciário.
De acordo com as investigações, a vítima foi atraída pelo irmão sob o pretexto de resolver questões familiares relacionadas à mãe de ambos. Ela o acompanhou voluntariamente até uma residência no bairro Três Barras, onde teria sido morta. O corpo da adolescente foi localizado submerso em um córrego, amarrado a uma pedra em uma clara tentativa de ocultação de cadáver. A perícia preliminar identificou sinais severos de crueldade, incluindo queimaduras e lesões, o que levou a polícia a autuar o suspeito por feminicídio, estupro, sequestro e ocultação de cadáver.
Marcos Pereira Soares possui um extenso histórico criminal, com 15 registros policiais que incluem tráfico de drogas, roubo e outros dois homicídios anteriores — um deles tendo como vítima a própria tia, em 2018. Em 2023, ele havia sido condenado a 17 anos de reclusão, mas foi colocado em liberdade recentemente. A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso instaurou um procedimento para apurar a falha humana que permitiu sua soltura, possivelmente vinculada à duplicidade de registros no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).
Embora o suspeito negue as acusações, alegando que apenas conversou brevemente com a irmã, a Polícia Civil mantém o feminicídio motivado por ódio de gênero como a principal linha de investigação. "O contexto todo é muito denotativo de uma pessoa que é imparável, que precisa ser detida, ser cerceada e que não tem condição nenhuma de viver em sociedade", afirmou a delegada Jéssica Assis. A Politec agora trabalha para determinar a causa exata da morte, enquanto investigadores analisam imagens de câmeras de segurança que mostram o suspeito rondando comércios da capital dias antes do crime, reforçando a tese de seu comportamento predatório.
Fonte: G1 Mato Grosso
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