Polícia Civil de Sorriso tem troca de comando após investigações de crimes graves na unidade

A Polícia Judiciária Civil de Sorriso passa por uma reestruturação em seu comando administrativo. O delegado Bruno França foi exonerado do cargo de chefia da unidade, conforme decisão assinada pelo governador Mauro Mendes e publicada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (12). Com a mudança, a delegada Layssa Crisostómo assume a titularidade da delegacia, enquanto França permanece atuando na unidade, mas sem as atribuições de chefia. Embora o documento oficial cite questões administrativas, a troca ocorre em um período de intensas investigações internas na instituição.
A reestruturação administrativa sucede episódios graves registrados na unidade. Em fevereiro, o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. O inquérito policial concluiu que o agente cometeu violência sexual contra uma mulher que estava sob custódia temporária na delegacia. A denúncia foi formalizada em dezembro, após a vítima relatar o ocorrido ao Ministério Público. Exames periciais confirmaram a compatibilidade genética do investigador, o que fundamentou sua prisão preventiva.
De acordo com o relato da vítima, os abusos ocorreram em quatro ocasiões distintas. O investigador a retirava da cela e a levava para uma sala isolada, onde proferia ameaças contra a vida da filha da detenta para silenciá-la. "Nas quatro ocasiões, segundo o advogado, o abusador ordenou que a vítima ficasse em silêncio, sob a ameaça de matar a filha dela, que é menor de idade", detalha o processo. O servidor público encontra-se atualmente detido na Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães.
Além do caso de violência sexual, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) apuram o vazamento de mensagens de um grupo de comunicação interna da delegacia. O conteúdo sugere possíveis práticas de tortura contra investigados e outros abusos contra mulheres detidas. A delegada Layssa Crisostómo, que agora assume a gestão da unidade, informou que outras detentas foram ouvidas durante as investigações, mas, até o momento, não surgiram novas denúncias formais contra o policial indiciado. A Corregedoria mantém uma equipe acompanhando de perto os procedimentos para garantir a transparência e a agilidade nas apurações.
Fonte: G1 Mato Grosso
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