Patrimônio Histórico de Cuiabá Sofre Apagamento Diante da Expansão Comercial no Centro

Patrimônio Histórico de Cuiabá Sofre Apagamento Diante da Expansão Comercial no Centro

O avanço acelerado do setor comercial em Cuiabá tem provocado um fenômeno de invisibilidade em importantes marcos históricos da capital mato-grossense. Locais emblemáticos como a Bica da Prainha, a Praça da Mandioca e a Primeira Igreja Presbiteriana, que outrora foram eixos centrais da vida social e religiosa, enfrentam hoje o desafio de coexistir com a intensa atividade mercantil e a carência de políticas de preservação patrimonial.

Segundo o sociólogo e economista Mauricio Munhoz, a consolidação de Cuiabá como um polo comercial estruturado, impulsionada pela integração ao agronegócio e à economia nacional, alterou a lógica de sociabilidade da cidade. "A integração ao agronegócio e com a economia nacional transformou muito a cidade. Ela deslocou a lógica de sociabilidade para uma lógica de mercado. E como consequência, espaços centrais, como a Praça Mandioca, a Bica da Prainha e a igreja, perderam o protagonismo", explicou o especialista.

A Bica da Prainha, construída no século XVIII, foi vital para o abastecimento de água da população em tempos coloniais. A historiadora Cristina Soares ressalta que o local era um ponto de circulação de informações e convivência. Atualmente, entretanto, a estrutura encontra-se integrada à fachada de uma loja, sem sinalização histórica adequada. "Muitas vezes, as pessoas transitam pelo local sem reconhecer sua importância histórica. Esse distanciamento revela, em grande medida, um processo mais amplo de apagamento da memória urbana", pontua a historiadora.

Já a Praça da Mandioca carrega camadas complexas da história local, tendo servido como pelourinho antes de se tornar um centro de comércio de alimentos e, posteriormente, um reduto cultural. Para Antonieta Costa, moradora da região e representante da Casa das Pretas, a praça é um território de acolhimento que sofre com a redução de atividades tradicionais. "Quando se fortalece um espaço, você também fortalece a história, você também reaviva a história, você também faz com que aqueles personagens, aquelas pessoas que viveram, que vivem ali, ganhem vida", destaca.

Por fim, a Primeira Igreja Presbiteriana, tombada pelo Iphan, simboliza a introdução do protestantismo e da educação formal na capital no século XIX. Localizada em uma das vias mais movimentadas do Centro Histórico, a edificação resiste ao intenso fluxo comercial, permanecendo como um testemunho da modernização urbana e da diversidade religiosa de Cuiabá.

Fonte: G1 Mato Grosso

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