Operações da Polícia Civil em Sorriso resultam na prisão de servidores públicos por fraude e corrupção

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (19), duas operações simultâneas no município de Sorriso para desarticular esquemas de corrupção, fraudes documentais e lavagem de dinheiro. As ofensivas, denominadas Operação Eidolon e Operação Falso Mestre, resultaram na prisão de sete pessoas, incluindo um juiz de paz, um guarda municipal e um professor. As investigações apontam para a existência de organizações criminosas que utilizavam cargos públicos e relações de confiança para obter vantagens ilícitas em prejuízo da administração e de cidadãos.
A segunda fase da Operação Eidolon concentrou-se em uma associação criminosa especializada no desvio de veículos apreendidos sob a guarda do município. Segundo a Polícia Civil, o grupo selecionava veículos — majoritariamente motocicletas com pendências administrativas e baixa probabilidade de recuperação — e utilizava procurações e documentos falsos para retirá-los dos pátios. O esquema contava com o apoio de servidores públicos com acesso privilegiado a sistemas e profissionais ligados a cartórios. Um guarda municipal foi identificado como liderança operacional do grupo, enquanto o juiz de paz atuaria como facilitador das fraudes.
Paralelamente, a Operação Falso Mestre investigou um esquema de estelionato e fraude bancária. A apuração teve início após uma vítima relatar que seus documentos pessoais, entregues a um antigo professor para matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA), foram utilizados indevidamente. De acordo com os investigadores, o professor teria traído a confiança da vítima para financiar dois veículos sem autorização. O juiz de paz também é investigado nesta operação por suspeita de participação na regularização fraudulenta das procurações utilizadas no crime.
Em resposta aos fatos, a Prefeitura de Sorriso comunicou que o guarda municipal já estava afastado de suas funções desde outubro de 2023 e responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). No total, as ações mobilizaram o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e a suspensão de funções públicas. Os envolvidos poderão responder por crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documentos públicos. As investigações continuam para identificar outros possíveis beneficiários dos esquemas.
Fonte: G1 Mato Grosso
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