Operação Rota Paralela investiga desvio de R$ 2,8 milhões em combustíveis de concessionária em Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Rota Paralela, com o objetivo de desarticular um esquema de desvio de combustíveis que teria causado um prejuízo estimado em R$ 2,8 milhões a uma concessionária responsável pela administração de rodovias estaduais. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), aponta o uso indevido de cartões corporativos destinados à manutenção das estradas para a geração de créditos irregulares em postos de combustíveis.
As diligências mobilizaram as forças de segurança para o cumprimento de 23 determinações judiciais nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Colíder e Alto Taquari. O balanço da operação inclui sete mandados de busca e apreensão, seis medidas cautelares com restrições aos investigados, além do bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros. A Justiça também determinou a restrição judicial de quatro veículos e autorizou o sequestro de bens e valores até o montante de R$ 2.796.942,48, visando a recuperação do patrimônio desviado.
O suposto esquema foi detectado inicialmente pela própria concessionária, que notou inconsistências no uso dos cartões corporativos fornecidos para o abastecimento da frota e de equipamentos de conservação rodoviária. Segundo a Deccor, os cartões eram utilizados para registrar abastecimentos fictícios ou com volumes manifestamente incompatíveis com a capacidade técnica dos veículos. Essa prática permitia que os envolvidos retirassem combustível de forma ilícita ou acumulassem créditos nos estabelecimentos parceiros.
A auditoria policial foi minuciosa, analisando um total de 26.113 transações realizadas no período entre janeiro de 2024 e julho de 2025. Desse volume, os investigadores identificaram indícios de irregularidades em 6.520 operações. Entre os pontos que fundamentaram a investigação estão registros de abastecimentos realizados durante a madrugada e transações sequenciais em intervalos de tempo impossíveis de ocorrer na prática operacional cotidiana.
A investigação agora entra em uma nova fase, com a análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos para identificar a extensão da participação de funcionários e de terceiros no recebimento e na destinação final do combustível desviado. As medidas cautelares impostas visam garantir a ordem pública e impedir que os suspeitos continuem a utilizar suas funções para facilitar as operações fraudulentas.
Fonte: G1 Mato Grosso
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