Operação revela complexa estrutura de garimpo ilegal mantida por facção criminosa em Terra Indígena em Mato Grosso

Uma investigação detalhada revelou a complexidade da estrutura montada pelo crime organizado para a exploração de garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, localizada no oeste de Mato Grosso. A operação, que contou com o monitoramento da Polícia Federal, expôs como a facção Comando Vermelho transformou a extração ilícita de ouro em uma operação logística altamente sofisticada, contando com túneis eletrificados, alojamentos estruturados e depósitos de suprimentos.
As galerias subterrâneas impressionaram os agentes pela engenharia aplicada. Com profundidades que chegavam a 30 metros, os túneis possuíam fiação elétrica, geradores e iluminação própria, permitindo o trabalho contínuo em condições extremas. De acordo com os investigadores, a construção dessas fendas exigia conhecimento técnico específico, evidenciado pela presença de equipamentos de perfuração modernos e materiais para detonação de rochas encontrados nas paredes das minas.
A infraestrutura não se limitava à extração. No local, foram identificados depósitos de alimentos e bases de apoio que permitiam a permanência prolongada dos trabalhadores na floresta. "Os itens indicam que o local servia como base de permanência dos trabalhadores, que passavam longos períodos dentro do garimpo", afirmam os investigadores. Além disso, a Polícia Federal constatou que os túneis eram estrategicamente utilizados para ocultar armamentos, munições e o ouro extraído, visando dificultar a fiscalização e as apreensões.
A dimensão da exploração na Terra Indígena Sararé, que abrange 67 mil hectares, é alarmante. No chamado Garimpo Cururu, formou-se uma espécie de vilarejo clandestino com comércio, bares e até farmácia. Apesar das constantes incursões das forças de segurança desde março, a facção demonstrava resiliência, repondo maquinários e motores destruídos em operações anteriores para manter o fluxo financeiro do crime.
Como resposta a essa invasão, as autoridades federais intensificaram as ações de repressão. Até o momento, a megaoperação resultou na destruição de 33 túneis, 800 motores e quase quatro toneladas de explosivos. Ao todo, 72 pessoas foram detidas e 153 quilos de ouro foram apreendidos. A inutilização física das minas é considerada pela Polícia Federal como um passo fundamental para desarticular a logística da facção e interromper o financiamento do crime organizado na região.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT