Operação resgata trabalhadores em condições degradantes na região de Tangará da Serra

Operação resgata trabalhadores em condições degradantes na região de Tangará da Serra

Uma operação conjunta de fiscalização resgatou quatro trabalhadores submetidos a condições degradantes em propriedades rurais localizadas na região de Tangará da Serra e Diamantino, no interior de Mato Grosso. A ação, realizada entre os dias 19 e 24 de julho, contou com a participação de Auditores-Fiscais do Trabalho, com o suporte da Polícia Federal e da Justiça do Trabalho. Durante as diligências, as autoridades identificaram graves violações às normas de saúde e segurança, resultando na interdição de atividades em altura e espaços confinados que ofereciam risco iminente à vida.

Os resgatados, sendo três cerqueiros e um vaqueiro, viviam em situações classificadas como análogas à escravidão, conforme as diretrizes da Instrução Normativa MTP nº 2/2021. De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT), os profissionais recebiam por diárias e eram submetidos a alojamentos precários, desprovidos de higiene, conforto ou segurança. Em um dos cenários mais alarmantes, um trabalhador pernoitava ao relento, utilizando um estrado de madeira sem colchão, totalmente exposto às variações climáticas.

A rotina dos cerqueiros era marcada pela exaustão física sob sol intenso, sem o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ou nutrição adequada. Relatos apontam que o café da manhã consistia apenas em café preto, insuficiente para a demanda energética das tarefas executadas. Paralelamente, o vaqueiro ocupava uma residência em péssimo estado de conservação, com fiação elétrica exposta, gerando riscos de incêndio e choques. A ausência de mobiliário básico obrigava o trabalhador a dormir em uma rede em ambiente insalubre.

Após a intervenção da Auditoria-Fiscal, foi assegurado o pagamento imediato de todas as verbas trabalhistas e rescisórias devidas. Os trabalhadores também receberam o suporte necessário para o retorno às suas cidades de origem dentro do estado de Mato Grosso. Além dos resgates, a operação formalizou o vínculo empregatício de outros dez trabalhadores que atuavam irregularmente nas propriedades.

O chefe da Seção de Fiscalização da SRTE-MT, Amarildo Borges, reiterou que o trabalho escravo contemporâneo é frequentemente identificado pela degradação das condições de moradia e labor. "A atuação da fiscalização busca interromper essas violações, garantir os direitos dos trabalhadores e responsabilizar os empregadores pelas irregularidades identificadas", afirmou o auditor-fiscal. As medidas administrativas cabíveis seguirão em trâmite para punir as infrações constatadas.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT