Operação internacional desarticula esquema histórico de cocaína líquida camuflada em madeira em MT e MS

Uma força-tarefa internacional de alta complexidade resultou na interceptação de uma carga monumental de cocaína líquida camuflada em estruturas de madeira, em uma operação que se estendeu pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A ação, realizada no último domingo (21), contou com o esforço coordenado entre a Receita Federal, Polícia Federal e Exército Brasileiro, além do suporte estratégico de agências de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia. Considerada uma das maiores apreensões da história do Brasil, a carga pode representar a segunda maior marca mundial já registrada pela Receita Federal.
O esquema criminoso utilizava uma técnica de sofisticação química para burlar a fiscalização: a droga era dissolvida em solventes e injetada em toras de madeira de espécies como aroeira e cedro. Segundo especialistas, este método remonta às táticas utilizadas por cartéis colombianos entre as décadas de 70 e 90, tendo sido aprimorado durante o auge do Cartel de Medellín. "O princípio é sempre o mesmo: misturar o ilícito ao que é aparentemente legal", explicou o mestre em história Carlos Roberto Benjoino da Silva, destacando que a madeira ajuda a neutralizar o odor para cães farejadores.
Do ponto de vista técnico, o processo envolve o aproveitamento da solubilidade do cloridrato de cocaína. De acordo com o professor de química Marciano Simões de Souza, a droga é diluída em solventes polares e introduzida na madeira, possivelmente após tratamentos mecânicos para aumentar a porosidade do material. "Após o transporte, eles evaporam o solvente, e o que sobra é o cloridrato de cocaína praticamente puro", detalhou o especialista, ressaltando que a detecção desse tipo de carga exige um trabalho prévio de inteligência, dado que os solventes podem ser inodoros.
A operação interceptou oito caminhões, sendo quatro deles localizados em Cáceres (MT) e quatro em Corumbá (MS). Estimativas preliminares sugerem que entre 10% e 20% do peso bruto da madeira seja composto pelo entorpecente, o que poderia totalizar entre 20 e 50 toneladas de cocaína. A Polícia Federal agora conduz perícias minuciosas para a extração e pesagem final da substância, além de investigar se as transportadoras envolvidas possuem conexão direta com o narcotráfico internacional.
A ação brasileira possui conexões com uma apreensão recente de 100 toneladas de cocaína no Chile, ocorrida no início do mês. Informações compartilhadas pelas autoridades norte-americanas indicam que ambos os carregamentos possuem o mesmo local de origem na Bolívia, evidenciando uma rota transcontinental de tráfico que vem sendo combatida por meio da cooperação entre os países vizinhos.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT