Operação Hidra: Servidor da Politec é investigado por falsificar documentos para liderança do PCC em Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a segunda fase da Operação Hidra, tendo como alvo um servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). O funcionário público, que atua como papiloscopista, é investigado por suspeita de integrar um esquema de falsificação de documentos de identidade destinados a lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em Várzea Grande e na sede do Instituto Médico Legal (IML), em Cuiabá.
As investigações apontam que o servidor teria utilizado sua função estratégica na emissão de documentos oficiais para beneficiar Ricardo Batista Ambrózio, de 44 anos, conhecido pela alcunha de “Perfume”. Ambrózio é apontado pelas autoridades como um dos principais chefes da organização criminosa fora do sistema prisional de São Paulo. Ele foi capturado em julho de 2024, após permanecer foragido por mais de uma década, vivendo na região metropolitana de Cuiabá sob uma identidade falsa.
Durante as diligências realizadas na residência do investigado, em Várzea Grande, os policiais civis localizaram materiais que agravaram a situação do servidor. Foram apreendidas canetas emagrecedoras de origem estrangeira, sem a devida documentação legal, além de substâncias anabolizantes. O papel do papiloscopista é fundamental na estrutura de segurança pública, sendo o profissional responsável pela identificação civil e criminal, o que torna a suspeita de fraude ainda mais sensível para a integridade do sistema.
A primeira fase da operação, ocorrida no ano passado, já havia revelado a profundidade da infiltração da facção no estado. Ricardo Batista Ambrózio residia em Mato Grosso desde 2013 e possuía uma condenação de 16 anos de reclusão por crimes de associação criminosa e tráfico de entorpecentes. Na ocasião de sua prisão, sua esposa também foi detida em flagrante pelo uso de documentos falsificados.
Até o fechamento desta reportagem, a Politec não havia se pronunciado oficialmente sobre o afastamento ou as medidas administrativas tomadas em relação ao servidor envolvido. O processo segue em segredo de justiça para apurar a extensão do envolvimento de outros possíveis colaboradores no esquema de fraude documental.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT