Operação Gemini: PF investiga suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro em Mato Grosso

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (8), em Cuiabá, a Operação Gemini, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção envolvendo a venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os alvos das medidas judiciais estão o desembargador Dirceu Santos, o deputado estadual Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro. A ação marca um novo desdobramento nas investigações sobre a integridade de processos no Judiciário estadual.
Com autorização da Justiça, os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados, além de buscas pessoais e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático. De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos podem responder pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa. Esta última tipificação ocorre quando um agente público utiliza as facilidades de seu cargo para patrocinar interesses privados.
As investigações sugerem que o magistrado contaria com o apoio do advogado e do parlamentar para o recebimento de vantagens indevidas, quitação de débitos familiares e intermediação de transações imobiliárias. "Essas operações tinham o objetivo de ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade às movimentações financeiras", apontam os investigadores. A análise bancária revelou movimentações atípicas que superam R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie.
Um ponto central do inquérito envolve o setor produtivo. A PF identificou transferências financeiras realizadas por empresas do agronegócio que possuíam litígios pendentes no TJMT. Até o momento, não foi encontrada justificativa comercial para tais repasses. Vale ressaltar que o desembargador Dirceu Santos já se encontrava afastado de suas funções desde março deste ano por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após a detecção de movimentações de R$ 14,6 milhões em um período de cinco anos.
O cenário de investigações sobre a venda de sentenças em Mato Grosso ganhou força após o homicídio do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023. Dados extraídos do aparelho celular da vítima teriam revelado detalhes de uma suposta organização criminosa com estrutura empresarial. Além de Dirceu Santos, os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho também foram afastados anteriormente por suspeitas de proximidade indevida com o advogado falecido e recebimento de vantagens financeiras.
Fonte: G1 Mato Grosso
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