Operação das Forças de Segurança contra garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé segue por tempo indeterminado

Operação das Forças de Segurança contra garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé segue por tempo indeterminado

Uma robusta força-tarefa composta pelo Exército Brasileiro e diversas instituições de segurança pública deflagrou, na última quarta-feira (25), uma megaoperação para erradicar o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. Segundo Nilton Tubino, diretor-geral da Casa de Governo, a ocupação das forças de segurança no território é por tempo indeterminado, visando garantir a estabilização da área e a proteção permanente das comunidades locais.

Nos primeiros dois dias de cerco, a operação resultou na condução de mais de 60 suspeitos à Polícia Federal, dos quais cinco permanecem sob custódia. O território, que pertence ao povo Nambikwara, tem sido alvo de intensa degradação ambiental e, segundo investigações da Polícia Civil, sofreu com o domínio de organizações criminosas nos últimos anos. "Não temos prazo para terminar. Queremos estabilizar o território. São estruturas grandes, como no garimpo Cururu, muitos móveis, muitos bares. Isso vai levar tempo para desmanchar, mas também para evitar que retomem", afirmou Tubino.

A facilidade de acesso terrestre à reserva Sararé é um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades, pois reduz os custos logísticos para os invasores e facilita a reposição de maquinários apreendidos. Para conter esse fluxo, o Exército bloqueou as rotas de entrada, enquanto equipes atuam de forma coordenada por terra, água e ar, utilizando embarcações e helicópteros.

A intensificação das atividades ilegais está diretamente ligada à valorização do ouro no mercado internacional. Com a onça do metal ultrapassando a marca de US$ 5 mil, o interesse pela extração mineral em áreas proibidas aumentou drasticamente. Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe de operações da Polícia Federal no território, destaca que "o ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé".

Apesar da pressão exercida pela cotação do metal, o Ibama reporta que a área garimpada ilegalmente na região apresentou uma redução de 20% no comparativo recente. Jair Smith, diretor de Proteção Ambiental do órgão, reforça que o combate é contínuo: "Existe uma atenção especial em relação a isso, que são fatores motivadores. Mas o trabalho de combate é permanente".

A Terra Indígena Sararé, homologada em 1985, abrange os municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Dos seus 67 mil hectares, cerca de três mil já foram devastados. A operação atual já contabiliza a destruição de mais de 160 escavadeiras e centenas de motores, em um esforço concentrado para devolver a segurança aos mais de 200 indígenas que habitam o local.

Fonte: G1 Mato Grosso

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