Operação da Polícia Federal investiga acordo de R$ 308 milhões entre Governo de MT e operadora de telefonia

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), uma operação de grande envergadura para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos estimado em R$ 308 milhões. A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), recai sobre um acordo firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi. As medidas judiciais incluem busca e apreensão, bloqueio de bens e quebras de sigilo bancário e fiscal de diversos agentes públicos, empresários e entidades jurídicas.
De acordo com as informações do inquérito, a estrutura sob suspeita teria utilizado uma rede complexa composta por fundos de investimento, empresas e cessões de crédito. O objetivo dessa organização seria, em tese, ocultar a origem e o destino final dos valores pagos pelo Estado após a formalização do acordo em abril de 2024. A Polícia Federal apura crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, uso de informação privilegiada e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
A decisão do STF detalha duas frentes de atuação cautelar. A primeira foca na preservação do patrimônio público por meio do sequestro e bloqueio de bens, alcançando cifras de até R$ 316 milhões. A segunda frente autoriza o rastreamento financeiro detalhado dos envolvidos. Entre os nomes listados nas duas modalidades de medidas estão o governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e o conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda dos Santos. Além das pessoas físicas, dezenas de escritórios de advocacia e fundos de investimento também são alvos.
Em resposta às investigações, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) manifestou confiança no trabalho da Polícia Federal e assegurou total colaboração para o esclarecimento dos fatos. O desembargador Ricardo Almeida defendeu a legalidade de sua atuação técnica na época em que exercia a advocacia, ressaltando que o trabalho seguiu rigorosamente os preceitos profissionais. Da mesma forma, a defesa de Ulisses Rabaneda afirmou que sua participação limitou-se ao exercício regular da profissão jurídica em período anterior ao seu ingresso no Conselho Nacional de Justiça. Até o fechamento desta reportagem, as assessorias de Mauro Mendes e Fábio Garcia não haviam se manifestado.
Fonte: G1 Mato Grosso
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