Operação da Polícia Federal desarticula esquema de tráfico internacional e sequestra R$ 500 milhões em bens

Operação da Polícia Federal desarticula esquema de tráfico internacional e sequestra R$ 500 milhões em bens

A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Ifrit, com o objetivo de desmantelar uma robusta organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e armas. A ação resultou no sequestro de um patrimônio avaliado em mais de R$ 500 milhões, incluindo cerca de 160 imóveis de alto padrão, um haras de luxo, lanchas, veículos importados e seis fazendas que, somadas, ultrapassam 5 mil hectares localizados nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Amazonas.

As investigações revelaram que o grupo possui ligações com as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Além do confisco de bens físicos, a Justiça Federal de Campo Grande determinou o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias vinculadas a 170 pessoas físicas e jurídicas investigadas. O esquema contava com uma estrutura de lavagem de dinheiro que movimentou meio bilhão de reais em apenas dois anos, utilizando doleiros e empresas de fachada.

Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a participação de agentes públicos no esquema. Segundo a Polícia Federal, policiais civis, militares e um policial rodoviário federal de Mato Grosso são suspeitos de fornecer informações sigilosas e facilitar o acesso a entorpecentes apreendidos em troca de vantagens financeiras. Entre os alvos está um delegado de Mato Grosso do Sul, suspeito de desviar cerca de duas toneladas de cocaína de depósitos policiais para comercialização ilegal.

A organização operava principalmente na fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai), trazendo drogas e armas da Bolívia e do Peru para abastecer grandes centros brasileiros e o mercado europeu. O grupo é descrito como extremamente violento, fazendo uso de armamento pesado, como fuzis e granadas, além de ser investigado por crimes de homicídio, tortura e sequestro para a manutenção do domínio territorial.

A Operação Ifrit cumpriu mandados em diversos estados, incluindo Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás e Rondônia. No total, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão. Os envolvidos poderão responder por crimes de organização criminosa, tráfico internacional, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. As defesas dos agentes citados declararam que aguardam acesso integral aos autos para se manifestarem, ressaltando o princípio da ampla defesa.

Fonte: G1 Mato Grosso

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