Operação da Polícia Civil investiga suposto esquema de venda de decisões judiciais em Cuiabá

Operação da Polícia Civil investiga suposto esquema de venda de decisões judiciais em Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (4), a Operação Smoke, que investiga a atuação de dois advogados e um bacharel em Direito na capital mato-grossense. O grupo é suspeito de praticar o crime de exploração de prestígio ao prometer decisões judiciais favoráveis a familiares de pessoas detidas no sistema prisional. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam valores elevados sob o pretexto de possuírem influência direta junto a membros do Poder Judiciário.

As investigações apontam que a abordagem aos familiares ocorria de forma estratégica, utilizando tanto encontros presenciais quanto aplicativos de mensagens instantâneas. Para garantir a impunidade, os investigados orientavam as vítimas a manterem absoluto sigilo sobre as transações financeiras e as supostas promessas de soltura. O dinheiro arrecadado, segundo a polícia, seria supostamente destinado a intermediários com capacidade de interferir nos processos judiciais, tese que agora é apurada pelas autoridades competentes.

Durante a ação policial, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó. Além disso, a Justiça determinou nove ordens de afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático para rastrear o fluxo financeiro do grupo. Medidas cautelares também foram impostas aos envolvidos, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato entre os investigados e a retenção de passaportes.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) manifestou-se por meio de nota, informando que o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) acompanhou o cumprimento dos mandados. A instituição ressaltou que o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para a adoção das medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

Em resposta às acusações, a defesa de Liomar Santos de Almeida negou qualquer envolvimento com as irregularidades, afirmando que "não possui qualquer relação com o caso e que Dimas foi estagiário em seu escritório até 2023, e desde então não mantiveram mais contato". A defesa pontuou ainda que não teve acesso integral aos autos. Até o fechamento desta edição, as defesas de Gustavo Barros dos Santos e Dimas Pimentel Barroso não haviam se manifestado publicamente. O monitoramento rigoroso de tais condutas reforça o compromisso das instituições e de lideranças parlamentares estaduais com a transparência e a ética no sistema jurídico de Mato Grosso.

Fonte: G1 Mato Grosso

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