Operação da Polícia Civil desarticula esquema de pornografia falsa gerada por IA em escolas de Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Juína, deflagrou nesta quarta-feira (27) a Operação Máxima Proteção, que resultou na apreensão de dois adolescentes de 15 anos envolvidos na criação e venda de conteúdo pornográfico falso gerado por Inteligência Artificial (IA). O esquema vitimou pelo menos 30 estudantes de escolas locais e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) no município de Juína. O grupo utilizava ferramentas tecnológicas para manipular fotografias reais e transformá-las em vídeos e imagens hiper-realistas de cunho sexual, que eram comercializados ilegalmente em redes sociais.
De acordo com as investigações policiais, a quadrilha operava de forma estruturada, utilizando perfis falsos com identidades femininas para atrair compradores e divulgar o material ilícito. Os valores cobrados pelos criminosos variavam entre R$ 30 por fotografias manipuladas e R$ 120 por vídeos produzidos via IA. O alcance da atividade criminosa ultrapassou as fronteiras estaduais, com a perícia bancária identificando transações via Pix originadas de diversos estados, como Minas Gerais, Pará, Rondônia, Tocantins e Bahia.
A operação também se estendeu ao estado de Rondônia, onde um jovem de 20 anos foi preso na cidade de Cacoal com o apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Durante as buscas, os agentes apreenderam computadores e aparelhos celulares que continham vasto material armazenado tanto nos dispositivos físicos quanto em serviços de nuvem. O IFMT emitiu uma nota informando que acompanha de perto o desdobramento da situação envolvendo seus alunos no campus de Juína.
Os envolvidos no esquema enfrentarão acusações baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especificamente pelos crimes de produção e comercialização de pornografia infantil. A Polícia Civil mantém o inquérito aberto para apurar a participação de outros adultos no esquema e detalhar a extensão total da rede de distribuição desse conteúdo digital manipulado. O caso serve de alerta para a segurança digital e o uso ético de tecnologias de inteligência artificial no ambiente escolar.
Fonte: G1 Mato Grosso
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