Operação Conluio Pantaneiro desmantela esquema de R$ 54 milhões em lavagem de dinheiro em Mato Grosso

Operação Conluio Pantaneiro desmantela esquema de R$ 54 milhões em lavagem de dinheiro em Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso desarticulou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado por uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. Por meio da "Operação Conluio Pantaneiro", deflagrada na última sexta-feira (20), as autoridades revelaram que o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada para movimentar aproximadamente R$ 54 milhões entre os anos de 2022 e 2024. A ofensiva policial resultou na prisão de pelo menos 10 pessoas e no cumprimento de 62 ordens judiciais em Mato Grosso, São Paulo e Paraná.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), apontaram que a quadrilha pulverizava o capital ilícito em diversos setores da economia. Entre as frentes utilizadas para ocultar a origem do dinheiro estavam empresas de transporte de carga, incorporadoras imobiliárias, sorveterias, salões de beleza, distribuidoras de bebidas e serviços de terraplanagem. Em Mato Grosso, o principal entreposto financeiro era uma empresa de manutenção de ar-condicionado em Cáceres, cujo proprietário movimentou mais de R$ 4 milhões apenas em 2023.

Um ponto central da investigação foi a utilização das contas bancárias das esposas dos líderes do grupo. Uma das mulheres, que se identificava como empresária do ramo de sorvetes, teria movimentado mais de R$ 2,4 milhões, com valores sem origem comprovada. Outra investigada, que atuava como manicure, apresentou movimentações superiores a R$ 3 milhões, recebendo vultosas quantias de empresas "laranjas" sediadas em São Paulo e redistribuindo os valores entre os cabeças da organização.

O monitoramento policial indicou que, em um curto período de dois meses em 2023, o grupo gerenciou o recebimento de pelo menos 2,7 toneladas de pasta base de cocaína. A estrutura hierárquica era liderada por um homem de 49 anos, que coordenava as operações logísticas e financeiras. O esquema contava ainda com o apoio de familiares e comparsas que atuavam como batedores e facilitadores em fazendas na região de Poconé. Com a operação, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, o sequestro de veículos e a apreensão de bens para descapitalizar o poderio financeiro da facção.

Fonte: G1 Mato Grosso

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