Operação Conluio Pantaneiro desarticula esquema de lavagem de R$ 54 milhões do tráfico em MT

Operação Conluio Pantaneiro desarticula esquema de lavagem de R$ 54 milhões do tráfico em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta sexta-feira (20), a Operação Conluio Pantaneiro, revelando um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas que movimentou aproximadamente R$ 54 milhões entre os anos de 2022 e 2024. A ação resultou na prisão de 10 suspeitos e no cumprimento de 62 ordens judiciais distribuídas entre os estados de Mato Grosso, São Paulo e Paraná. O foco da investigação recai sobre o uso estratégico de contas bancárias de esposas dos principais líderes da organização para ocultar a origem ilícita dos recursos.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), apontam que o líder do grupo, um homem de 49 anos preso em Cáceres, utilizava a estrutura empresarial de uma sorveteria, gerida por sua esposa, para operacionalizar o núcleo financeiro da quadrilha. Segundo a polícia, embora se declare empresária, a mulher de 46 anos movimentou mais de R$ 2,4 milhões em um curto período, dos quais R$ 643 mil não possuem origem identificada.

Outro braço importante do esquema envolvia um suspeito de 42 anos, preso em Várzea Grande, que contava com o auxílio da esposa, uma manicure de 33 anos. Apesar da ocupação formal simples, a mulher movimentou mais de R$ 3 milhões sem comprovação de renda compatível. A análise bancária revelou transferências vultosas provenientes de empresas de fachada situadas em São Paulo, além de repasses diretos para o chefe da organização e sua respectiva cônjuge, consolidando a rede de interdependência financeira do grupo.

A operação também lançou luz sobre a estrutura logística da organização. Um dos membros centrais, Wagner Gonçalves Neto — falecido em 2023 em confronto com forças policiais —, era o elo que conectava diversos investigados. O esquema envolvia ainda familiares próximos, como o filho de Wagner e seu cunhado, este último responsável por facilitar o recebimento de entorpecentes em uma propriedade rural na região de Poconé.

Ao todo, além das prisões, a Polícia Civil executou 17 mandados de busca e apreensão, acompanhados de medidas cautelares de bloqueio de contas bancárias e sequestro de veículos. As autoridades reforçam que a desarticulação do braço financeiro é fundamental para enfraquecer o poder de atuação das facções criminosas que operam nas regiões de fronteira e no interior do estado.

Fonte: G1 Mato Grosso

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