Operação conjunta intensifica combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé em Mato Grosso

Uma força-tarefa composta por diversas instituições federais deflagrou uma megaoperação para combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, localizada na região de Pontes e Lacerda. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) revelam que a devastação ambiental no território já ultrapassa a marca de 3 mil hectares, área equivalente a mais de 4 mil campos de futebol. A ação, que conta com o apoio do Exército, Polícia Federal e órgãos ambientais, visa desarticular a logística de organizações criminosas que dominam a extração ilícita de minérios na região.
A ofensiva estratégica resultou em prejuízos significativos para os infratores, estimados em mais de R$ 700 milhões desde o início das fiscalizações em 2023. No balanço das operações, o Ibama destaca a neutralização de aproximadamente mil acampamentos e a destruição de 513 escavadeiras hidráulicas. Além disso, foram apreendidos cerca de 150 mil litros de combustível, 850 motores geradores e quantidades expressivas de ouro e mercúrio. O cerco atual, que utiliza incursões terrestres, fluviais e aéreas, não possui prazo para encerramento e busca garantir a proteção do povo Nambikwara.
A escalada da atividade ilegal é impulsionada pela valorização histórica do ouro no mercado internacional. Segundo Rodrigo Vitorino Aguiar, chefe de operações da Polícia Federal no território, “o ouro, como ativo financeiro, vem batendo seu recorde histórico, o que atrai mais pessoas para a atividade de extração mineral, inclusive em garimpos ilegais, como os localizados na Sararé”. Apesar da pressão externa, o Ibama registrou uma redução de 20% na área garimpada na comparação entre os dados atuais e os do ano anterior, fruto da presença constante das forças de segurança.
A ocupação irregular não apenas degrada o ecossistema da Amazônia Legal, mas compromete a subsistência das sete aldeias indígenas locais. Jair Smith, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, reforça que, embora a alta dos preços seja um fator motivador, o combate à criminalidade é uma política de Estado permanente. “Óbvio que existe uma atenção especial em relação a isso, que são fatores motivadores. Mas o trabalho de combate é permanente”, afirmou. O governo federal trabalha agora na finalização de um plano definitivo para a desocupação total e proteção da reserva.
Fonte: G1 Mato Grosso
Alerta da Serra MT