Operação conjunta desarticula fraude milionária de R$ 21 milhões no setor de algodão entre MT e SP

Operação conjunta desarticula fraude milionária de R$ 21 milhões no setor de algodão entre MT e SP

Uma operação conjunta entre as forças de segurança de Mato Grosso e de São Paulo revelou um complexo esquema de fraude fiscal e estelionato que resultou no desvio de mais de R$ 21 milhões. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-MT) em parceria com a Polícia Militar paulista, apura as atividades ilícitas envolvendo funcionários de uma empresa do setor algodoeiro com ramificações nos dois estados.

O núcleo do crime operava através de filiais e sedes organizacionais situadas em Álvares Machado (SP) e em Mato Grosso. Segundo o delegado Hércules Batista Gonçalves, do Gaeco-MT, o esquema baseava-se na manipulação indevida de cessões de crédito. Esse mecanismo financeiro, que permite ao produtor rural transferir o direito de recebimento de vendas a prazo para quitar dívidas, foi utilizado de forma criminosa por funcionários que detinham o certificado digital do proprietário das terras.

Conforme detalhado pelas autoridades, os suspeitos realizavam as transferências de crédito junto a comerciantes sem o consentimento ou conhecimento do produtor responsável. "A investigação demonstrou que funcionários desse produtor rural de Mato Grosso possuíam acesso ao certificado digital do proprietário e passaram a realizar diversas cessões de crédito junto a comerciantes, sem o conhecimento [do responsável], gerando um prejuízo já identificado na investigação de mais de R$ 21 milhões", afirmou o delegado Hércules Batista.

A ação policial, deflagrada na última quinta-feira (24), resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em Presidente Prudente e Álvares Machado. No decorrer das diligências, equipes do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) apreenderam documentos de controle logístico de algodão, registros de cessões de crédito e aparelhos celulares, que servirão como base para o aprofundamento das investigações.

O esquema também envolvia a emissão de notas fiscais falsas por meio de empresas de fachada, criadas especificamente para ocultar a movimentação financeira irregular. Até o momento, as investigações apontam para a colaboração direta entre o encarregado da algodoeira no interior paulista e um vendedor localizado em Mato Grosso. Embora o material probatório tenha sido coletado, nenhuma prisão foi efetuada até a última atualização, e as autoridades seguem trabalhando para identificar outros possíveis envolvidos e o montante total do prejuízo causado ao setor produtivo.

Fonte: G1 Mato Grosso

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