Operação Broquel: Servidor é investigado por fraudar benefícios de vulneráveis em Várzea Grande

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (22), a Operação Broquel com o objetivo de desarticular um esquema de desvios de benefícios em uma unidade de acolhimento em Várzea Grande. O principal alvo da ação é um servidor público, ex-gerente da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda, suspeito de se aproveitar da vulnerabilidade de cidadãos acolhidos para realizar fraudes financeiras e apropriação indébita de valores assistenciais.
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o investigado utilizava sua posição hierárquica e a relação de confiança estabelecida com os internos para confiscar documentos pessoais e cartões bancários. Com esses itens em mãos, ele realizava saques e contraía empréstimos fraudulentos em nome das vítimas, muitas das quais possuem dificuldades de comunicação, são analfabetas ou enfrentam transtornos psiquiátricos e dependência química. Em um dos episódios relatados, um empréstimo consignado superior a R$ 16 mil foi efetuado sem o consentimento do beneficiário.
Além dos crimes financeiros, o servidor é acusado de explorar a mão de obra dos acolhidos. Relatos indicam que internos eram levados para trabalhar em uma propriedade privada ligada ao investigado, realizando atividades particulares sem qualquer tipo de remuneração. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou a suspensão imediata do exercício da função pública do suspeito, que atualmente estava lotado na Secretaria Municipal de Saúde, além de proibir novas nomeações ou contratos no âmbito municipal.
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande buscou esclarecer sua atuação diante do caso. "A Administração Municipal reforça que, ao identificar indícios de irregularidades relacionadas ao funcionamento da unidade e a conduta do então responsável, adotou imediatamente as providências cabíveis, incluindo o encaminhamento das informações aos órgãos competentes para apuração dos fatos", afirmou o órgão. A pasta destacou ainda que o servidor havia sido afastado da gerência da casa de acolhimento há dois anos.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram recolhidos aparelhos eletrônicos que passarão por perícia após a quebra do sigilo de dados. O investigado também está sob medidas cautelares rigorosas, incluindo a proibição de manter contato com vítimas e testemunhas, bem como o impedimento de frequentar prédios da Secretaria de Assistência Social. As investigações continuam para identificar a extensão total dos danos causados às vítimas em situação de rua e extrema vulnerabilidade.
Fonte: G1 Mato Grosso
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