Novas onças-pintadas são registradas no Pantanal e impulsionam ecoturismo em Mato Grosso

Um registro raro e emocionante movimentou a comunidade científica e os entusiastas do ecoturismo no Pantanal mato-grossense. O biólogo e fotógrafo Marcos Ardevino flagrou, pela primeira vez, uma dupla de onças-pintadas caminhando juntas às margens do Rio Claro, na região de Poconé. O encontro, ocorrido em março deste ano, foi descrito pelo profissional como um momento único e inesquecível, reforçando a importância da região para a preservação da fauna silvestre e para o fortalecimento do turismo contemplativo no estado.
Como foi o primeiro a registrar oficialmente os animais, Ardevino teve a honra de batizá-los. Os nomes escolhidos foram Pakoba e Pari, termos de origem Tupi-Guarani que possuem caráter unissex. Na língua indígena, Pakoba faz referência à "banana" ou "bananeira", enquanto Pari designa uma tradicional armadilha de pesca. "Eu tive o privilégio de testemunhar e fotografar essas duas onças-pintadas juntas pela primeira vez. Uma cena realmente inesquecível e um dos momentos mais especiais deste começo de ano", celebrou o biólogo em suas redes sociais.
De acordo com as observações técnicas de Ardevino, as onças aparentam ter entre um e dois anos de idade. Embora os animais pareçam ser um macho e uma fêmea, o biólogo descarta, inicialmente, a hipótese de formação de um casal para fins reprodutivos. Ele explicou que a dupla foi vista junta por mais de duas semanas, um comportamento atípico para o período de cópula, que costuma durar apenas alguns dias. "Elas estavam andando juntas há mais de semanas. Normalmente, em período de cópula, permanecem juntas por poucos dias", detalhou. A principal suspeita é de que os espécimes sejam irmãos.
O avistamento de onças-pintadas, o maior felino das Américas, consolidou-se como um pilar fundamental para a economia de Mato Grosso. O animal deixou de ser apenas um símbolo da fauna para se tornar um motor do ecoturismo, atraindo visitantes do mundo inteiro que buscam a experiência marcante de observar o predador em seu habitat natural. Esse fluxo turístico não apenas gera renda, mas também contribui para a conservação ambiental, uma vez que as imagens capturadas por guias e turistas auxiliam no monitoramento e na proteção da espécie. Para Ardevino, que atua no bioma há mais de uma década, a integração entre turismo sustentável e preservação é o caminho para garantir o futuro do Pantanal.
Fonte: G1 Mato Grosso
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