Newton Ishii, o ‘Japonês da Federal’, assume cargo de secretário-adjunto na Prefeitura de Cuiabá

Newton Ishii, o ‘Japonês da Federal’, assume cargo de secretário-adjunto na Prefeitura de Cuiabá

A Prefeitura de Cuiabá oficializou, no início de março, a nomeação de Newton Hidenori Ishii para o cargo de secretário-adjunto. Amplamente conhecido em todo o país como o “Japonês da Federal”, Ishii ganhou notoriedade nacional durante a Operação Lava Jato, quando era frequentemente visto realizando a escolta de figuras influentes, incluindo políticos e empresários, em Curitiba.

A trajetória de Ishii na Polícia Federal é extensa e marcada por momentos de grande exposição mediática. Na década de 1970, ele iniciou sua carreira no serviço público e, décadas mais tarde, tornou-se um símbolo visual das operações de combate à corrupção no Brasil. Sua popularidade foi tamanha que ele chegou a ser tema de marchinhas de carnaval e homenageado com um boneco gigante no tradicional desfile de Olinda, em Pernambuco.

Entretanto, o histórico do novo secretário-adjunto também registra episódios complexos. Em 2009, Ishii foi condenado por facilitação de contrabando na fronteira do Paraná, fato relacionado à Operação Sucuri. Após o trânsito em julgado em 2016, ele chegou a cumprir pena em regime semiaberto com o uso de tornozeleira eletrônica, período no qual, curiosamente, continuou a participar de escoltas pela Polícia Federal. Em 2018, ele obteve sua aposentadoria especial voluntária.

Do ponto de vista jurídico, especialistas afirmam que não existem impedimentos legais para que Newton Ishii assuma a função na administração municipal. Segundo juristas, os prazos de restrição previstos tanto na Lei da Ficha Limpa quanto na legislação municipal de Cuiabá já transcorreram. "Assim, pelo princípio da legalidade, tanto a lei municipal quanto à própria Lei da Ficha Limpa não seriam aplicáveis a esse caso, porque, ao que parece, já se esgotou o prazo impeditivo previsto nas duas legislações", explicou a professora de Direito Penal, Jenifer Moraes.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, reiterou que a nomeação seguiu os trâmites legais e que foi apresentada a certidão negativa de antecedentes criminais necessária para o cargo. Advogados especialistas reforçam que, sem uma decisão judicial vigente que o impeça de exercer funções públicas, a nomeação é juridicamente válida, restando apenas o debate acerca da discricionariedade administrativa e das competências para o exercício da função.

Fonte: G1 Mato Grosso

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