Mortalidade Materna em Mato Grosso: Estudo da UFMT aponta que maioria dos óbitos é evitável

Mortalidade Materna em Mato Grosso: Estudo da UFMT aponta que maioria dos óbitos é evitável

Mato Grosso enfrenta um cenário alarmante no setor de saúde pública, com o registro de 7.282 mortes maternas nos últimos cinco anos. Os dados, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e atualizados até abril deste ano, revelam que a maioria desses óbitos poderia ter sido evitada. O levantamento destaca ainda a vulnerabilidade de grupos específicos, com 598 vítimas negras e 179 indígenas no período analisado.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com base em dados epidemiológicos, aponta que a mortalidade materna no estado é agravada por deficiências estruturais e assistenciais. Entre os principais gargalos identificados estão a realização de pré-natal inadequado, a infraestrutura hospitalar insuficiente, falhas diretas no atendimento clínico e as profundas desigualdades regionais que dificultam o acesso universal à saúde de qualidade.

A professora Elyana Teixeira, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT e uma das idealizadoras da pesquisa, reforça que esses números são um termômetro social. “Para além de uma fatalidade evitável, a mortalidade materna consiste em um importante indicador de saúde pública que reflete as condições sociais, de qualidade de vida e de acesso aos serviços de saúde”, afirmou. No cenário nacional, Mato Grosso ocupa posições que variam entre o 13º e o 17º lugar no ranking de óbitos, tendo 2021 como o ano mais crítico devido aos impactos da pandemia de Covid-19.

A análise técnica também sublinha que o risco elevado entre mulheres negras, indígenas e de baixa escolaridade não é uma fatalidade individual, mas uma consequência de fatores sociais. Segundo a professora Ana Paula Muraro, questões como renda, transporte, racismo estrutural e a qualidade do cuidado recebido são determinantes. “Quando falamos de maior risco entre mulheres negras, indígenas e com menor escolaridade, estamos falando de condições de vida, acesso aos serviços, transporte, renda, informação, racismo, inserção social e qualidade do cuidado recebido. Não é uma vulnerabilidade individual, mas produzida socialmente”, explicou Muraro.

Como forma de reverter esse quadro, o estudo sugere o fortalecimento do pré-natal, garantia de transporte intermunicipal eficiente e educação continuada para profissionais da saúde. Em resposta, o Governo de Mato Grosso mantém o Grupo Técnico Estadual de Vigilância do Óbito, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A equipe trabalha na análise detalhada das causas e na implementação de medidas preventivas para qualificar a assistência materno-infantil em todo o território mato-grossense.

Fonte: G1 Mato Grosso

Alerta da Serra MT