Ministério Público pede investigação contra delegado por suspeita de falso testemunho em Cuiabá

Ministério Público pede investigação contra delegado por suspeita de falso testemunho em Cuiabá

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) formalizou, nesta sexta-feira (28), um pedido à Corregedoria da Polícia Civil para que seja instaurada uma investigação contra o delegado Guilherme de Carvalho Bertoli. A suspeita é de que a autoridade policial tenha prestado falso testemunho durante o julgamento do investigador Mário Wilson da Silva Gonçalves, acusado pelo homicídio do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrido em uma conveniência de Cuiabá. De acordo com o órgão ministerial, as declarações dadas pelo delegado em juízo divergem substancialmente das provas colhidas ao longo do inquérito e dos depoimentos de outras testemunhas.

A controvérsia surgiu após o júri popular realizado em maio deste ano. Durante sua oitiva, Bertoli afirmou ter recebido uma ligação do réu logo após o crime, na qual Mário Wilson teria dito que havia "matado um noiado". O delegado alegou ainda ser a primeira autoridade a chegar à cena do crime, onde supostamente visualizou papelotes de cocaína próximos ao corpo da vítima. Entretanto, o MPMT destaca que tais informações jamais constaram em documentos oficiais, laudos periciais ou boletins de ocorrência, e que nenhuma substância entorpecente foi apreendida no local pelos peritos.

O Ministério Público aponta que a narrativa de Bertoli parecia estrategicamente alinhada à tese da defesa, que buscava sustentar que o investigador agiu acreditando estar diante de um criminoso comum, e não de um colega das forças de segurança. Outro ponto de questionamento é o fato de o delegado, apesar de alegar ter chegado primeiro ao local, não ter tomado providências protocolares para o isolamento da área ou a apreensão das supostas drogas. Além disso, outros dois delegados citados por Bertoli negaram, sob juramento, terem recebido dele qualquer informação sobre a presença de entorpecentes na cena.

Diante da gravidade dos fatos, o MP entende que a conduta de Bertoli pode configurar infração disciplinar e crime de falso testemunho, visando possivelmente favorecer um subordinado. O caso foi encaminhado tanto para a Corregedoria da Polícia Civil, para apuração administrativa, quanto para uma Promotoria Criminal, que avaliará a viabilidade de uma ação penal. Até o fechamento desta edição, nem o delegado Bertoli nem a Polícia Civil haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações.

Fonte: G1 Mato Grosso

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